EFE/Horacio Villalobos
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Fillon se desculpa, mas não desiste da candidatura

Candidato conservador, antes favorito à sucessão de Hollande, está envolvido em escândalo de nepotismo e tem caído nas pesquisas

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

06 Fevereiro 2017 | 16h44

PARIS -  Candidato à presidência pelo partido Republicanos (direita), o ex-primeiro-ministro da França François Fillon pediu desculpas e admitiu ter errado ao empregar a própria mulher, Penelope, e dois de seus filhos ao longo de sua carreira como parlamentar. O líder conservador descartou a possibilidade de renunciar - apesar da queda nas pesquisas de opinião, que beneficia seus dois concorrentes diretos.

Fillon esta sob pressão há 10 dias em razão da forte suspeita de ter empregado a mulher e os dois filhos como funcionários fantasmas. O nepotismo não é crime na França, mas Penelope Fillon não teria exercido nenhuma função.

As evidências levaram uma parte do partido Republicanos a pedir a renúncia do candidato, que saiu vencedor nas prévias da legenda em novembro, derrotando o ex-presidente Nicolas Sarkozy e o ex-premiê Alain Juppé. Desde então, Fillon era considerado franco favorito a vencer as eleições de abril e maio, quando ao que tudo indicava enfrentaria a candidata de extrema direita Marine Le Pen, da Frente Nacional (FN), no segundo turno.

O ex-premiê voltou a insinuar ontem que o governo socialista de François Hollande estaria manipulando o Ministério Público, além de acusar a mídia de querer derrubar seu projeto presidencial. “Foi um erro, eu o lamento profundamente e apresento minhas desculpas aos franceses”, afirmou. 

A situação do candidato piorou na quinta-feira, quando a rede pública France Télévisions apresentou uma entrevista gravada em 2007 pela mulher do ex-premiê na qual ela afirma não ter “jamais trabalhado como assistente parlamentar” do seu marido. 

Penelope também é suspeita de ter tido uma atividade fantasma em uma revista literária de propriedade de um amigo do ex-primeiro-ministro. Pelos dois empregos, a mulher do ex-premiê teria recebido € 931 mil (bruto) em salários, que se somam aos € 57 mil e aos € 26,6 mil pagos a dois de seus filhos, também nomeados como assistentes parlamentares. 

À noite, uma nova pesquisa de opinião divulgada pelo instituto Ifop mostrou que Fillon agora aparece em terceiro lugar, com 18,5% das intenções de voto, atrás de Marine Le Pen, com 25%, e Emmanuel Macron, ex-ministro da Economia, com 20,5%.

Nos cenários de segundo turno, Macron é franco favorito, com 63% das intenções de voto, contra 37% da extremista de direita. O quatro, porém, está longe de ser estável. Segundo Brice Teinturier, diretor-geral do Instituto Ipsos, o pronunciamento de Fillon pode mobilizar de novo sua base eleitoral. “O eleitorado de direita estava desiludido porque tem medo que após cinco anos a vitória lhe escape de novo”, avalia.

 

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