EFE/EPA/IAN LANGSDON
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Fillon tenta recuperar força com ato em Paris

Pressionado, ex-premiê francês garantiu que seu nome estará na cédula de votação em abril; comitê político do partido Republicanos se reúne nesta segunda-feira em busca de solução para o impasse

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2017 | 21h24

PARIS - Pressionado por seus próprios correligionários a se retirar da campanha à presidência da França, François Fillon, líder do partido Republicanos (conservador), fez neste domingo, 5, uma demonstração de força ao reunir dezenas de milhares de militantes em Paris em apoio a sua candidatura.

A manifestação foi organizada às pressas para tentar controlar a perda de apoio e a queda nas pesquisas de opinião, que lhe colocam em terceiro lugar na corrida ao Palácio do Eliseu. Aos seus eleitores, o ex-primeiro-ministro foi taxativo: seu nome estará nas cédulas em abril.

Fillon foi escolhido pelos republicanos ao vencer a prévia do partido em novembro, batendo o também ex-primeiro-ministro Alain Juppé e o ex-presidente Nicolas Sarkozy, dois expoentes do partido. Com mais de 65% de apoio de eleitores de direita e com mais de 4 milhões de votos na primária, o conservador se tornou o favorito a vencer as eleições, no segundo turno, contra a candidata de extrema direita Marine Le Pen, da Frente Nacional (FN).

Mas em janeiro o jornal satírico Canard Enchainé revelou que sua mulher, Penelope, e dois de seus filhos teriam ocupado cargos em seu gabinete no Parlamento sem terem de fato trabalhado, recebendo cerca de € 900 mil em salários. O escândalo ganhou ainda mais proporção depois que a rede pública France Télévisions revelou uma entrevista de 2007 na qual Penelope afirma que jamais havia trabalhado como assessora parlamentar do marido.

Uma investigação foi aberta pelo Ministério Público (MP) e no dia 15 Fillon deverá ser formalmente denunciado à Justiça por crimes de corrupção e de desvio de verbas públicas. A decisão do MP provocou um sismo entre membros do Republicanos, e desde a quinta-feira 306 vereadores, deputados, senadores, prefeitos e presidentes regionais do partido retiraram o apoio ao candidato do partido.

Neste domingo, Fillon tentou buscar nas ruas a legitimidade que vem perdendo dentro de sua legenda. Em comício sob chuva forte no Trocadero, junto à torre Eiffel em Paris, ele voltou a pedir desculpas aos seus eleitores. “Atacam-me de todos os lados, mas eu devo escutá-los por consciência. Eu devo escutar essa multidão imensa”, argumentou, usando o apoio do eleitorado para empurrar a pressão para os membros de seu partido. “Eu devo me questionar sobre os que duvidam e abandonam o barco. A responsabilidade deles é imensa, e a minha também.”

Segundo os organizadores do evento, mais de 200 mil pessoas teriam comparecido ao ato. A polícia avaliou a participação entre 40 mil e 50 mil pessoas, um comício reforçado pelo movimento católico Senso Comum, que o apoia de forma incondicional.

A manifestação, no entanto, não dirimiu todas as dúvidas sobre a viabilidade de sua candidatura. Horas antes do comício, três presidentes regionais do partido, Xavier Bertrand, Valérie Pecresse e Christian Estrosi, anunciaram que convocarão o Comitê Político para propor uma alternativa - no caso, o lançamento de Alain Juppé em substituição a Fillon.

Juppé, atual prefeito de Bordeaux, também convocou a imprensa para pronunciamento oficial às 10h30 de da segunda-feira para se manifestar sobre o caso.

À noite Fillon voltou a comentar sobre se retirará sua candidatura. “A resposta é, afirmou, dizendo-se “inocente” e “sem nada a reprová-lo no plano legal”. “A minha decisão foi confortada por essa manifestação popular. Eu não vejo razão para retirar a minha candidatura.”

Números. Pesquisa realizada pela Kantar Sofres-Onepoint entre quinta-feira e sábado e divulgada neste domingo mostrou Fillon com apenas 17% das intenções de votos, pontuação que o eliminaria da disputa ainda no primeiro turno. Le Pen e o social-liberal Emmanuel Macron, do partido En Marche! (Em Movimento) disputariam o segundo turno, com 26% e 25% das intenções de voto, respectivamente, de acordo com a pesquisa, que ouviu 1.027 pessoas. / COM REUTERS

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