REUTERS/Jason Lee
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Filosofia de Xi Jinping vira disciplina de universidades chinesas

Departamentos e grupos de estudo foram criados nas instituições do país para propagar entre os estudantes a ideologia do atual presidente, depois do Partido Comunista incluir as ideias de Xi na Constituição da China

O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2017 | 17h30

PEQUIM - Os pensamentos do atual presidente da China, Xi Jinping, serão ensinados nas universidades chinesas. Isso logo depois do Partido Comunista Chinês (PCC) ter aprovado a introdução da filosofia política de Xi na Constituição do país na última terça-feira, 24.

Artigo: O significado da promoção histórica de Xi

Na Universidade Renmim de Pequim, já foi criado um departamento responsável por elaborar uma grade curricular específica sobre as ideias do presidente chinês, segundo reportagem do jornal britânico The Guardian.

Assim, é muito provável que os estudantes chineses se alinhem cada vez mais com a ideologia do atual líder, algo que agrada o reitor da universidade, Liu Wei. "O estabelecimento do pensamento de Xi Jinping tem um significado decisivo", afirmou o reitor ao jornal Beijing Daily.

Em Tianjin, a 112 km de Pequim, um outro departamento também já está em atividade desde a quarta-feira na Universidade de Finanças e Economia da cidade. Também de acordo com o Beijing Daily, o foco será na educação política e ideológica dos alunos a partir dos ensinamentos de Xi.

Além dos departamentos, as universidades também devem incentivar grupos de estudo com o objetivo de analisar o "Pensamento de Xi Jinping sobre o socialismo com características chinesas numa nova era".

Para o chefe do Partido Comunista em Pequim e forte aliado de Xi, Cai Qi, o estudo e implementação da mentalidade do presidente é agora prioridade máxima da capital chinesa.

A ex-subsecretária de Estado americana no governo de Bill Clinton, a chinesa Susan Shirk, não vê nenhuma preocupação geral a respeito dessas mudanças.

"Ele aparenta ser muito popular com o público. Pessoas na China gostam de um líder forte, assim como nos Estados Unidos", disse Susan em entrevista ao Guardian, acrescentando ainda que tem dúvidas se os cidadãos chineses vão adotar ou resistir à ideologia de Xi nas salas de aula do país.

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