Fim da cólera 'decretado' por Mugabe era sarcasmo, diz jornal

Porta-voz afirma que declaração clara foi distorcida; número de mortos pela doença no país chega a 783

Agências internacionais,

12 de dezembro de 2008 | 10h07

O jornal estatal do Zimbábue afirmou nesta sexta-feira, 12, que a afirmação do presidente Robert Mugabe sobre o fim da cólera no país foi sarcasmo, acusando a imprensa internacional de distorcer suas acusações.  Mugabe, afirmou que seu governo conseguiu pôr fim à epidemia de cólera no país. O anúncio, porém, foi feito no mesmo dia em que a Organização das Nações Unidas (ONU) informou que o número de mortos pela doença subiu para 783. "Estou feliz pela assistência que recebemos", disse Mugabe em um discurso no qual também acusou o Ocidente de ter planos para invadir o país e derrubar o governo. "Agora que não há mais cólera, não há necessidade de uma guerra - não precisamos de médicos e não precisamos de soldados." O Herald cita o porta-voz de Mugabe, George Charamaba, afirmando que o presidente foi sarcástico ao explicar que os esforços feitos até agora para conter a epidemia estavam começando a dar resultados positivos. "Claramente, as emissoras ocidentais escolheram o caminho da distorção deliberada em um comunicado claro do presidente zimbabuano, para avançar na guerra e na agenda de mudança do regime de seus governos expansionistas". O porta-voz disse ainda que o país ainda precisa da ajuda internacional para encerrar a epidemia.  Os Estados Unidos e o Reino Unido intensificaram os pedidos para que Mugabe deixe o poder. Na semana passada, o premiê britânico, Gordon Brown, pediu união mundial contra o governo do presidente zimbabuano. O embaixador americano em Harare, James McGee, afirmou que a crise no Zimbábue piora a cada dia - além da epidemia de cólera, o país vive um impasse político entre governo e oposição, falta alimentos à população e sofre com uma hiperinflação estimada em 1 trilhão por cento ao ano. "A situação está realmente sombria", disse McGee. "Mugabe está mantendo o país como refém e o Zimbábue está se deteriorando rapidamente." A África do Sul declarou sua região de fronteira com o Zimbábue uma "zona de desastre" e órgãos da ONU indicaram que pelo menos 16.403 casos de cólera já foram registrados. Segundo a organização, se a epidemia não for tratada corretamente o número de afetados pela doença pode subir para 60 mil.

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