Fim da erupção é imprevisível, diz cientista

Camada de gelo e terra no local da explosão causou nuvem de poeira; desde setembro, plano de contingência está pronto

Alexandre Gonçalves, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2010 | 00h00

É impossível saber quando o Vulcão Eyjafjallajokull cessará de expelir cinzas para a atmosfera, aponta o presidente da Sociedade Brasileira de Geologia e pesquisador da Unesp, Fábio Braz Machado. "Ele já permaneceu 20 meses em erupção", afirma o cientista, recordando o último episódio, que terminou em dezembro de 1823.

Machado explica que a lava emerge de uma fissura localizada entre duas enormes placas continentais que estão se afastando: a Placa da América do Norte e a Placa Eurasiana.

Ao subir do manto da Terra, gases e rocha fundida encontram uma camada de 800 metros de gelo e sedimentos. O obstáculo serve como um tampão. A pressão sobe gradualmente até que uma explosão ? ou várias ? pulverize a terra e o gelo acumulados sobre a fissura desde a última erupção. O evento produz a nuvem de poeira (mais informações nesta página).

É muito difícil prever quando o desastre acontece. Pesquisadores do Centro de Vulcanologia Nórdico, na Islândia, registraram desde dezembro pequenos tremores, deformações na crosta e emissão de alguns gases em Eyjafjallajokull.

O geólogo do Museu Nacional da UFRJ, João Wagner de Alencar Castro, recorda que a Islândia deve sua existência aos vulcões. A maior parte das rochas da ilha é basalto formado de lava solidificada. Castro visitou o local da erupção em julho.

A Organização Internacional de Aviação Civil (OIAC) possui um órgão só para administrar os eventos relacionados ao vulcanismo: o Observatório de Vulcões para a Aviação Internacional (IAVW, na sigla em inglês).

A entidade possui nove centros espalhados pelo mundo. Eles informam aeroportos e empresas de aviação sobre o movimento e localização das nuvens de cinzas expelidas por vulcões.

O centro de Londres acompanha os vulcões da Islândia, considerados um grande risco para a aviação na América do Norte e na Europa. A ilha mereceu um plano de contingência da OIAC definido em setembro do ano passado. O documento serviu como um manual para lidar com a atual crise aérea.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.