Fim da 'libreta' empurra cubanos para mercado negro

A histórica 'libreta' de alimentos, símbolo da capacidade da Revolução de garantir comida aos cubanos, está perto de acabar. Os produtos que sobraram (arroz, açúcar, azeite e algo de carne) chegam em quantidade insuficiente aos armazéns do Estado, onde são distribuídos. Com um salário médio de US$ 18, sem acesso à abundante comida oferecida em pesos convertíveis (CUCs, a moeda atrelada ao dólar) - privilégio de turistas e de cidadãos que recebem remessas do exterior -, o cubano médio recorre ao mercado negro.

O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2011 | 03h05

"Todo mundo entra na ilegalidade. Eu, por exemplo, compro leite em pó no mercado negro. Alguém desvia algumas latas na fábrica e as passa para o caminhoneiro, que as passa para o homem que trabalha no armazém estatal, que me vende 'por fora'. O preço é maior que o subsidiado, mas menor que o produto oferecido em dólares. Em resumo, todo mundo rouba um pouquinho do Estado", explica José Luis (que prefere omitir o sobrenome), morador de 40 anos de Havana.

A escassez mais emblemática talvez seja a de leite. Dados de setembro mostram que a produção este ano foi 34 milhões de litros menor do que a de 2010 (371,7 milhões de litros). A entrega à população, na forma de subsídios, caiu 10,8 milhões de litros (é de 93,1 milhões). O resultado da escassez leva a proibições. A carne sofre restrições e o leite, por exemplo, passou a ser proibido para maiores de 7 anos. "Isso é um poblema para o futuro", lamenta António Gutierrez, professor de Educação Física. / R.C.

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