''Fim da tortura fortalecerá EUA''

Em entrevista, Obama diz que a informação poderia ter sido obtida de forma consistente com os valores do país

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

30 de abril de 2009 | 00h00

O presidente Barack Obama afirmou ontem que a técnica de simulação de afogamento, autorizada por seu antecessor, George W. Bush, é tortura. "Simulação de afogamento é tortura, e é por isso que eu acabei com essa prática", disse Obama em entrevista coletiva na Casa Branca marcando os primeiros cem dias de seu governo. Confira na TV Estadão o comentário do jornalista José Eduardo Barella"Não importa que explicação jurídica arrumaram para isso, foi um erro." O presidente americano disse que a informação obtida pelo governo com o uso de simulação de afogamento poderia ter sido obtida de outra maneira. "Poderíamos ter obtido a mesma informação de maneiras consistentes com nossos valores, embora pudesse ter sido mais difícil", disse. Obama declarou que o fim da tortura tornará os EUA mais fortes. "Quando você começa a usar atalhos, você corrói o caráter da nação."Obama disse estar "profundamente preocupado" com a situação no Paquistão. "Não por acreditar que o Paquistão será dominado em breve pelo Taleban, mas porque o governo civil está muito frágil, e não é capaz de prover os serviços básicos à população, como saúde, escola, um sistema jurídico que funcione para a maioria das pessoas." Questionado se estava preocupado com a capacidade do Paquistão de manter seguro seu arsenal nuclear, Obama disse que confiava nas Forças Armadas paquistanesas para essa tarefa.Mas acrescentou que vem insistindo com os militares do Paquistão para que mudem sua estratégia: "Eles encaram a Índia como seu inimigo mortal, e na verdade deveriam se focar na ameaça interna - isso vem mudando nos últimos dias." "Vamos oferecer toda a cooperação e respeitar sua soberania, mas é preciso que o Paquistão saiba que temos interesses estratégicos e não queremos acabar com um país instável com um arsenal nuclear." Obama declarou que está "contente com os progressos" alcançados nesses cem dias, "mas não satisfeito". Para marcar a data, ele participou de uma sessão de perguntas e respostas com eleitores na cidade de Arnold, perto de Saint Louis, no Missouri. "Estou confiante com relação ao futuro, mas não estou contente com o presente", disse. Questionado sobre o que o tinha deixado surpreso nesses primeiros cem dias, Obama não titubeou: "A quantidade de questões críticas que apareceram ao mesmo tempo."Presidente fala sobre principais desafios de seu governoTortura"Simulação de afogamento é tortura e é por isso que eu acabei com essa prática" Iraque"Os atentados espetaculares (que ocorreram recentemente) são causa legítima de preocupação, mas as mortes de civis e os atentados permanecem relativamente mais baixos comparados ao ano passado"Paquistão"Estou profundamente preocupado com a situação no Paquistão. Não por acreditar que o Paquistão será dominado em breve pelo Taleban, mas porque o governo civil está muito frágil"Reforma imigratória"Queremos avançar nesse processo. Não podemos continuar com esse sistema (imigratório) falido. Não é bom para ninguém"Política interna"Estamos longe de um bom começo. Mas é apenas um começo. Estou orgulhoso do que conseguirmos, mas não estou contente"Gripe suína"Seria parecido a fechar a porteira após a fuga dos cavalos (sobre a possibilidade de fechar a fronteira com o México)"Montadoras"Estou muito otimista, mais do que há 30 dias, com que poderemos ver uma resolução que mantenha a Chrysler como uma fabricante de automóveis viável"

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