EFE/MASSIMO PERCOSSI
EFE/MASSIMO PERCOSSI

Fim de campanha italiana tem atos pró e contra ascensão fascista e populista

Rivais na eleição de amanhã, o Movimento 5 Estrelas, de viés antieuropeu e de restrição a imigrantes, e os partidos de ultradireita Liga Norte e Irmãos da Itália somariam 45,7% do eleitorado

Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

02 Março 2018 | 20h57

Com comícios e sob protestos em várias partes do país, a Itália encerrou nesta sexta-feira a mais conflituosa e imprevisível campanha eleitoral de sua história recente. Indignados com o sistema político, eleitores se dividem entre uma abstenção recorde – que pode chegar a 47% – e uma adesão inédita a movimentos populistas, de extrema direita e fascistas. Atos contra e a favor desses grupos reuniram centenas de militantes nesta sexta-feira.

Juntas, a legenda populista Movimento 5 Estrelas (M5S) e os partidos de ultradireita Liga Norte e Irmãos da Itália (FDI) somariam 45,7% do eleitorado, segundo a média das últimas pesquisas de opinião. Em um Parlamento dividido, ninguém consegue de fato prever o nome do futuro primeiro-ministro.

Em um cenário de crise migratória e econômica, a Itália voltou a discutir na reta final da campanha para as eleições de amanhã uma palavra que foi derrotada mais de 70 anos atrás: o fascismo. Desde o crime contra uma jovem de 18 anos, encontrada morta e desmembrada, e o ataque a negros como consequência, a esquerda tem realizado marchas contra a volta do fascismo. O tema ganhou mais força porque o Irmãos da Itália, que herdou parte do espólio ideológico do fascismo, pode chegar ao poder por meio de uma coalizão com o partido do ex-premiê Silvio Berlusconi.

Esse cenário de grande insatisfação pode custar caro ao Partido Democrata (PD), que exerce o poder em coalizão com legendas de centro-direita e sob o comando do tecnocrata Paolo Gentiloni. Liderada pelo ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, a agremiação de centro-esquerda é em grande parte alvo da insatisfação do eleitorado e pode ser vítima de sua reforma do sistema político.

O novo método prevê a escolha de 232 deputados e de 116 senadores por meio de um sistema distrital, que dá ênfase ao eleitorado municipal e regional. Outros 386 deputados e 193 senadores serão selecionados via voto proporcional. Analistas políticos estimam que o novo sistema tende a beneficiar partidos de direita e extrema direita, em detrimento da esquerda.

Segundo pesquisa do Instituto Ipsos e do Instituto Jacques Delors para o jornal Corriere della Sera, a perspectiva é que ninguém obtenha a maioria absoluta de 316 assentos no Parlamento. Os prognósticos indicam que a aliança entre o Força Itália, partido de Berlusconi, a Liga Norte, de Matteo Salvini, e o Irmãos da Itália chegue a 283 eleitos. Os partidos de centro-esquerda, liderados pelo PD de Renzi, obteriam 158 e o M5S, 152. Como as pesquisas de opinião foram proibidas há duas semanas, todos os prognósticos são mais incertos.

Nesta sexta-feira, em comício na Praça do Povo, em Roma, Luigi di Maio, líder do M5S, mostrou-se convicto de suas chances de vitória. “Não posso falar de pesquisas, mas vi uma que nos mostra a um passo da vitória”, afirmou. Já Berlusconi, que nesta semana convidou o presidente do Parlamento Europeu, Alberto Tajani, para assumir o cargo de premiê no caso de vitória de seu partido, pediu a mobilização de seu eleitorado nas últimas horas antes do pleito.

Salvini, por sua vez, voltou a defender a ruptura entre a Itália e a União Europeia, um dos meios, segundo a Liga Norte, de controlar o fluxo migratório. 

 

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