Fim de ocupação da Universidade do Chile encerra 6 meses de protestos

A direção da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (FECH) havia se comprometido com o prefeito a devolver o prédio, o que causou descontentamento de alguns integrantes do movimento

EFE,

22 de dezembro de 2011 | 02h40

 SANTIAGO DO CHILE -  Com o término da ocupação do prédio central da Universidade do Chile, os estudantes de ensino superior encerraram, nesta quarta-feira, 21, mais de seis meses de mobilizações que exigiam educação pública, gratuita e de qualidade.

Os estudantes secundaristas fizeram o mesmo, após desocupar, no mesmo dia, o Instituto Nacional, que abrigava 3 mil alunos. Os dois edifícios ficam a duas quadras do Palácio de La Moneda, sede do governo chileno.

Dessa forma, os dirigentes estudantis desconvocaram uma mobilização que estava agendada para esta quinta-feira, 22.

A desocupação da Universidade do Chile por parte de cerca de 150 estudantes foi marcada pela tensão. Alguns saíram do prédio violentamente, enquanto outros lançavam bombas de água contra jornalistas e populares, irritados com a medida tomada pela direção da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (FECH) de devolver o prédio.

A entidade tinha se comprometido a ceder o prédio nesta quarta-feira. Enquanto os jovens deixavam o local, dois funcionários de limpeza pública chegavam cedo para limpar e pintar a fachada do edifício. Em menos de duas horas, os muros ficaram limpos das palavras de ordem pichadas.

Além disso, com a ajuda dos estudantes, os funcionários de limpeza tiraram um extenso cartaz preto que estava pendurado na fachada, e tiraram o capuz que, durante os protestos, cobria o rosto da estátua do filósofo venezuelano Andrés Bello, um dos inspiradores e criadores da Universidade do Chile, em 1842.

A poucos metros dali, o prefeito de Santiago, Pablo Zalaquett, e o reitor da universidade, Jorge Toro, receberam dos estudantes a devolução do prédio do Instituto Nacional.

"Temos muito a limpar e reparar para que o colégio possa começar as aulas em março", disse Toro aos jornalistas. Ele reconheceu que os dirigentes tentaram manter a ordem a todo custo, mas afirmou que houve um grupo, de aproximadamente 30 alunos, que causou distúrbios e vandalismo.

"Eles queriam impedir a entrega do colégio, apesar da realização de uma votação democrática. Já os identificamos e vamos aplicar todo o regulamento interno, porque não podemos permitir que continuem (estudando) aqui", declarou o reitor.

Já o prefeito Zalaquett disse que pretende solicitar ao Ministério da Educação os recursos necessários para reparar o colégio.

As mobilizações dos estudantes começaram em meados de maio para exigir que o governo central voltasse a administrar a educação primária e secundária, que proibisse o lucro de instituições educacionais privadas e para que se garantisse na Constituição o direito à educação pública e de qualidade.

No entanto, o atual presidente da FECH, Gabriel Boric, assinalou na segunda-feira passada que, no ano que vem, os estudantes retomarão as mobilizações estudantis, pois, segundo ele, é preciso enfrentar o governo, qualificado como intransigente, "que não está disposto a mudar sua visão de educação".

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