Fim de restrição a obras em assentamentos judeus 'decepciona' EUA

Em Paris, presidente palestino defendeu renovação da suspensão por três meses.

BBC Brasil, BBC

27 de setembro de 2010 | 17h24

Fim da suspensão das construções foi criticada pelos palestinos

Os Estados Unidos manifestaram decepção nesta segunda-feira com a decisão israelense de não manter a suspensão à construção de assentamentos judaicos na Cisjordânia.

O congelamento, adotado em novembro, expirou formalmente à 0h desta segunda (hora local, 19h em Brasília), o que pode pôr em risco a continuidade das negociações diretas de paz entre palestinos e israelenses, retomadas neste mês pela primeira vez desde o fim de 2008.

"Nós estamos decepcionados, mas continuamos focados em nosso objetivo em longo prazo", disse o porta-voz do Departamento de Estado americano, PJ Crowley.

O enviado dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell, viajaria à região ainda nesta segunda-feira para tentar salvar as negociações.

Em Nova York, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, divulgou um comunicado em que "reiterou que a construção de assentamentos no território palestino ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, é ilegal conforme leis internacionais".

O secretário-geral lembrou que o congelamento das construções estava previsto no "mapa do caminho", conjunto de ações propostas pelo chamado "Quarteto" de negociadores para o Oriente Médio (Estados Unidos, União Europeia, Rússia e ONU) para o avanço das conversas de paz na região.

Ele também reprovou o que chamou de ações "provocativas" de Israel.

Extensão por três meses

Nesta segunda-feira, ao lado do presidente francês, Nicolas Sarkozy, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, disse que a manutenção da suspensão por mais três ou quatro meses poderia dar às conversas de paz uma chance.

"(O primeiro-ministro israelense Binyamin) Netanyahu implementou a suspensão por dez meses quando não havia negociações. É mais apropriado que haja uma extensão por três ou quatro meses enquanto as negociações ocorrem para facilitar o processo, para que possamos discutir as questões centrais em profundidade. Sobre isso, não há diferença entre nós (Abbas e Sarkozy)", disse Abbas, em Paris.

Na semana passada, Abbas afirmou que as negociações seriam "inúteis" a menos que a suspensão fosse estendida.

O líder palestino anunciou que se reuniria com outros líderes árabes na próxima semana antes de se posicionar sobre a retomada das construções.

Bloqueio a Gaza

Estima-se que cerca de 2 mil unidades de moradia na Cisjordânia, região reivindicada pelos palestinos, já tenham recebido aprovação para construção. Líderes de assentamentos afirmam que planejam retomar o trabalho o mais rápido possível.

Já há na região mais de 150 assentamentos, nos quais moram cerca de 300 mil colonos israelenses.

Outros 200 mil israelenses moram na parte oriental de Jerusalém, onde os palestinos pretendem fundar sua capital, e onde o governo israelense não decretou o congelamento das construções.

Enquanto as conversas de paz enfrentam um impasse, um grupo de ativistas judeus deixou a ilha de Chipre na tentativa de furar o bloqueio naval israelense à faixa de Gaza.

É a primeira embarcação tripulada por judeus a empreender a missão.

Em entrevista à BBC, o ativista Yonatan Shapira disse que o objetivo da viagem é divulgar o sofrimento do povo em Gaza: "O fato é que (em Gaza) há uma prisão com um milhão e meio de pessoas que estão sofrendo, como o nosso povo sofreu na história. Estamos determinados a fazer uma ação simbólica que desafiará o bloqueio ilegal".

Em maio, forças israelenses atacaram uma frota que tentava levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza, deixando nove mortos.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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