Fim do anonimato de doadores de esperma na Inglaterra

O governo britânico anunciou hoje que planeja permitir a pessoas nascidas a partir de esperma ou óvulos doados o acesso à informação sobre seus pais biológicos. Alguns especialistas, ao mesmo tempo em que saudaram a mudança, expressaram medo de que isso possa desencorajar doadores em potencial. "Acredito firmemente que pessoas concebidas a partir de doação têm o direito à informação sobre suas origens genéticas, que lhes é presentemente negado, incluindo a identidade do doador", disse a ministra da Saúde Pública Melanie Johnson durante a conferência anual da Autoridade de Fertilização Humana e Embriologia (HFEA). Se forem aprovadas pelo Parlamento, as novas regras começariam a valer no dia 1º de abril de 2005. Seriam aplicadas a doações realizadas após essa data, e investigações poderiam ser feitas somente após a pessoa completar 18 anos. Os doadores não teriam nenhuma obrigação financeira ou legal para com a criança, mas mesmo assim o anúncio provocou críticas de especialistas em fertilidade, os quais dizem que o acesso às informações sobre pais biológicos vai desencorajar os doadores. "Os interesses da criança são primordiais", disse Melanie Johnson. "Vivemos numa época que, com o desenvolvimento da tecnologia, nossa origem genética vai se tornar cada vez mais importante", disse. "Já ouvi as opiniões de pessoas concebidas por meio de doadores e elas gostariam de mais informações sobre sua origem genética - talvez para elas mesmas, talvez para seus filhos, talvez porque sintam que a informação as pertence, que é sua por direito." O doutor Alan Pacey, da Sociedade Britânica de Fertilidade, saudou as novas regras. "Nós estamos, contudo, como disse a própria Melanie Johnson, preocupados com uma queda no número de doadores", afirmou Pacey."Há o risco de que, se não pudermos recrutar doadores, muitos casais estéreis não tenham condições de receber tratamento." A coordenadora da Rede de Esterilidade britânica, Sheena Young também teme o efeito nos doadores. "Está havendo uma queda no número de doadores tanto de esperma como de óvulos no Reino Unido nos últimos anos, e existem áreas onde o serviço está em crise há algum tempo", disse. Crianças nascidas a partir de doadores podem procurar seus pais genéticos em vários países, como a Suécia, Áustria, Austrália e Holanda. Entre os países que ainda consideram a possibilidade de permitir isso são a Nova Zelândia e Japão. Nos Estados Unidos, a maioria dos doadores permanece anônima. Mas há diversos bancos de esperma cujos doadores concordaram em ter sua identidade revelada, às vezes no momento da doação, às vezes para a própria criança, quando ficar mais velha.

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