Fim do Ramadã na Argélia é marcado pela violência

A Argélia vive com recolhimento a festa do Eid ul-Fitr, nesta terça-feira, que encerra o Ramadã, o mês de jejum muçulmano, no qual grupos fundamentalistas voltaram a mostrar sua força em uma série de atentados que mataram cerca de 40 pessoas.Nesta terça e quarta-feira as atividades no país se limitam à reunião das famílias e às visitas aos cemitérios, nas quais os muçulmanos vão aproveitar o fato de que agora podem voltar a comer e a fumar.Embora a vida esteja voltando ao normal na Argélia, o balanço final deste Ramadã, mais uma vez, foi marcado pela violência do radical Grupo Salafista para Pregação e Combate, milícia terrorista ligada à Al-Qaeda.O número de vítimas é inferior ao do Ramadã de 2005, quando 65 pessoas foram mortas de forma violenta.AtentadosEm 2006, o atentado mais sangrento aconteceu em 15 de outubro, quando foram assassinados oito guardas na província de Ain Defla, a cerca de 160 quilômetros a oeste da capital Argel.As circunstâncias do massacre geraram revolta, principalmente após ter sido divulgado que as vítimas foram baleadas pelas costas enquanto se preparavam para rezar.Outros nove guardas morreram em diferentes atentados, o que os torna a classe mais atingida durante o mês sagrado dos muçulmanos.Em Cabília, região montanhosa onde os salafistas mantêm sua força, apesar das operações de rastreamento do Exército argelino, o presidente da Assembléia regional de Tizi-Ouzou, Rachid Aissat, foi assassinado enquanto rompia o jejum do Ramadã em um bar com vários amigos.Os últimos dez dias do Ramadã foram os mais violentos. Os salafistas consideram estes dias - e divulgam esta visão em panfletos - os mais propícios para a jihad, a guerra santa.Neste período acontece a "noite do destino", durante a qual, segundo a tradição muçulmana, o Corão foi revelado ao profeta Maomé. Além disso, foi comemorado no dia 20 o aniversário da conquista de Meca pelo profeta muçulmano.Por outro lado, a Polícia matou cerca de seis muçulmanos fundamentalistas, todos eles pertencentes ao grupo salafista.ReconciliaçãoEmbora este Ramadã tenha sido marcado pela violência, em 2006 a atividade terrorista diminuiu no país devido, principalmente, à política de paz e de reconciliação implantada pelo presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika.A Carta da Paz, conhecida como "a lei do perdão", permitiu que mais de 2.500 terroristas se rendessem. Foram oferecidas a eles reinserção social e ajuda financeira.Ao mesmo tempo, a Carta deu liberdade para que antigos dirigentes da Frente Islâmica de Salvação (FIS), como Rabah Kebir - que representava o grupo fundamentalista na Europa -, retornassem à Argélia.Kebir foi usado pelo Governo neste Ramadã como um exemplo da reconciliação entre os que apoiaram a violência da FIS e os que a condenaram diariamente.O antigo dirigente da FIS anunciou publicamente que deseja criar um novo partido. Embora Kebir tenha insistido em que não haverá lugar para a violência na legenda, muitos argelinos vêem sua atitude com desconfiança.Para completar o cenário de um Ramadã que não foi tão pacífico quanto muitos esperavam, ainda não se sabe qual o destino do Grupo Salafista para Pregação e Combate, que não decide se irá entregar ou não suas armas.TunísiaNa Tunísia, o Ramadã foi muito menos rígido quanto ao jejum. Como acontece normalmente, muitos bares e restaurantes permaneceram abertos, sem que isso tenha surpreendido alguém ou causado críticas.No entanto, o fundamentalismo também pôde ser percebido neste mês sagrado. A prova disso foi a reaparição em massa do véu islâmico feminino.A aparição, um tanto incomum na Tunísia, de jovens com véu fez com que o poder político, liderado pelo presidente Zine El Abidine Ben Ali, se referisse ao véu como "a vestimenta sectária", acusando o fundamentalismo islâmico de querer "ressurgir de suas cinzas".

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