Jerome Favre/EFE
Jerome Favre/EFE

Firmas de internet prometem boicote à lei de segurança em Hong Kong

Empresas dizem que não vão fornecer dados de usuários para o governo local, que avisa que pode prender funcionários

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2020 | 04h30

HONG KONG - Enquanto Hong Kong enfrenta uma nova lei de segurança draconiana, o minúsculo território se destaca na luta entre os Estados Unidos e a China que agora deve incluir como lidar com a censura, a vigilância e o futuro da internet. Há muito tempo, a liberdade online de Hong Kong incomodava a China. Agora, o governo local terá instrumentos para estabelecer o controle das redes. 

Apanhados no meio de tudo, estão os 7 milhões de habitantes da cidade e as maiores companhias mundiais de internet. Muitas, como Facebook, Google, Twitter, Zoom e LinkedIn, afirmaram nos dois últimos dias que deixarão temporariamente de atender a pedidos de dados de usuários feitos pelas autoridades de Hong Kong. O governo local, por sua vez, retrucou e disse que a pena pelo não cumprimento da lei poderá incluir cadeia para os funcionários das companhias.

Como exemplo, um funcionário do Facebook poderá ser preso em Hong Kong se a companhia não entregar os dados de um usuário que está nos Estados Unidos, mas que as autoridades chinesas considerem uma ameaça à segurança nacional.

Embora não esteja claro até que ponto o governo de Hong Kong aplicará a lei, futuros litígios legais poderão determinar se a cidade ficará submersa na dura censura chinesa ou se tornar um híbrido, onde o discurso e as comunicações online são severamente policiadas, mas não interrompidas. 

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, disse na segunda-feira que o governo Trump estuda a possibilidade de bloquear alguns aplicativos chineses, que ele definiu como uma ameaça. “Não quero me adiantar ao presidente, mas é algo que estamos considerando.”

A experiência do Google em todo o ano passado mostra a posição difícil em que se encontram as maiores companhias de internet americanas. No segundo semestre de 2019, mesmo período em que milhares iam às ruas pedindo mais liberdade, os pedidos para a retirada de conteúdo online feitos pela polícia local à empresa mais que dobraram, passando de 7 mil, de acordo com o deputado pró-democracia, Charles Mok. 

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A polícia insistia, por exemplo, que Google que retirasse do ar um manual confidencial de ação da polícia, um vídeo do YouTube do grupo de hackers Anonymous, que apoiava os protestos, e links para um site que permitiu que o público tivesse acesso ao perfil dos policiais locais. O Google negou todas as solicitações.

No entanto, com a nova lei, a companhia pode ser punida com multas, sequestro de equipamentos e detenções. “A questão é o poder cada vez maior nas mãos das autoridades para agirem arbitrariamente”, disse Mok, acrescentando que “algumas das plataformas locais menores, preocupadas com as consequências legais, poderão ceder” aos pedidos do governo.

Vários pequenos aplicativos locais relacionados aos protestos já fecharam. O Eat With You, que classificava os restaurantes com base em sua filiação política, parou de operar no dia seguinte à entrada em vigor da lei de segurança, na semana passada. No domingo, outro serviço que mapeava empresas favoráveis aos manifestantes ou à polícia, no Google Maps, suspendeu os seus serviços. / NYT, TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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