Firmas suíças eram ligadas aos nazistas

Várias companhias suíças colaboraram estreitamente com a Alemanha nazista, segundo estudos apresentados hoje em Genebra pela Comissão Independente de Historiadores. Chefiada por Jean-François Bergier, a comissão documenta a maneira pela qual industriais, companhias distribuidoras de eletricidade e ferroviárias contribuíram para sustentar a economia do Terceiro Reich. Segundo revelaram os historiadores, muitos industriais suíços mantiveram durante todo o período nazista boas relações com a Alemanha e contribuíram para o crescimento da economia alemã. Um dos integrantes da comissão destacou que a importação de eletricidade suíça pela Alemanha era considerada pelas autoridades nazistas como uma das mais valiosas contribuições da Suíça durante a guerra. Durante a Segunda Guerra, o volume de mercadorias que transitaram pela Suíça duplicou em relação ao volume durante a Primeira Guerra. Oficialmente, o governo de Berna não permitia o trânsito de armas destinadas à tropas alemãs no norte da África. Mas, segundo indica o estudo, "a fragilidade no controle dos trens que atravessavam a Suíça não permite descartar a hipótese de tráfico de armas através do país". Em relação ao tráfico de pessoas, mais de 180 mil trabalhadores italianos atravessaram a Suíça com destino à Alemanha entre 1941 e 1943. Segundo Bergier, a maior parte dos industriais suíços não agia por razões ideológicas e sim para garantir a manutenção de seus negócios na fase incerta do pós-guerra.

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