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Físico argentino faz críticas à política atômica americana

Pedro Mascheroni naturalizou-se americano em 1972 e tentava emplacar um sofisticado projeto de fusão a laser

REUTERS e AP, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2010 | 00h00

O físico Pedro Leonardo Mascheroni, de 75 anos, nasceu na Argentina, mas imigrou para os EUA, em 1968. Quatro anos depois, em 1972, naturalizou-se americano. Em 1979, conseguiu um emprego no Laboratório Nacional de Los Álamos, no Novo México. O local é um dos mais importantes centros de pesquisa dos EUA e um dos poucos laboratórios do país que projetam armas nucleares - o outro é o Laboratório Nacional de Lawrence Livermore, na Califórnia.

Mascheroni foi um crítico contumaz de vários projetos do laboratório. A partir de 1986, o físico passou a receber da direção da instituição vários pedidos para moderar suas condenações e acabou demitido em 1988. A mulher dele, a americana Marjorie Roxby Mascheroni, hoje com 67 anos, trabalhou no mesmo laboratório realizando serviços técnicos de 1981 a 2010.

Desde que foi demitido, o físico tentou, na Justiça e no Congresso americano, reaver o emprego e tornou-se um crítico da política nuclear americana, que estaria indo, segundo ele, "na direção errada".

Mascheroni trabalhou durante anos para tentar convencer os americanos da necessidade do seu projeto de fusão a laser, que poderia testar armas atômicas sem a necessidade de uma explosão nuclear.

O físico chamou a atenção do FBI, que passou a suspeitar que os segredos da bomba de hidrogênio e o programa de fusão a laser seriam muito parecidos. Desde então, os investigadores buscavam provar que Mascheroni violou leis federais ao discutir o assunto com um suposto agente venezuelano.

Ano passado, já com fortes indícios de que ele tentava vender segredos atômicos a Caracas, o FBI invadiu a casa dele e confiscou seis computadores, duas câmeras, dois celulares e centenas de arquivos. Na época, ele se disse inocente. "Se eu fosse um espião, já teria deixado o país há muito tempo", afirmou na ocasião.

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