Físico preso por terrorismo na França leciona na UFRJ

Acadêmico diz que o processo judicial não reuniu provas contra ele e recebe apoio de colegas da universidade

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

12 Janeiro 2016 | 02h00

RIO - Condenado pela Justiça da França a cinco anos de prisão sob a acusação de planejar atentados terroristas, o físico Adlène Hicheur, de 39 anos, nascido na Argélia e naturalizado francês, radicado no Brasil há  três anos, divulgou ontem texto em que diz que o processo judicial não reuniu provas contra ele, apesar da sentença. Ao obter liberdade provisória, após dois anos preso, ele se mudou para o Rio, onde leciona no Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) como professor visitante.

"Fui preso pela polícia francesa no fim de 2009 e a única justificativa desta minha detenção foram minhas visitas aos chamados websites islâmicos subversivos. Fui privado da minha liberdade por dois anos apenas com base nisso. Nenhum outro elemento foi apresentado contra mim", afirma ele na carta, encaminhada ao Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). No documento, Hicheur diz que "a acusação não sustentou o caso com fatos e evidências". Segundo ele, "o caso foi fabricado, usando-se partes pinçadas de uma conversa virtual com o objetivo de mostrar que haveria uma tentação de considerar a violência como solução para conflitos internacionais em países árabes e muçulmanos como Iraque ou Afeganistão". O Estado procurou Hicheur ontem na UFRJ, mas ele não estava em seu gabinete.

O pesquisador Ignacio Bediaga, que trabalha no CBPF e foi responsável pelo convite ao físico para que viesse trabalhar no Brasil, também divulgou carta em que defende e elogia o colega. "Durante esses quase dois anos de trabalho conjunto, o dr. Hicheur, além de realizar um trabalho excepcional, mostrou um comportamento moral e ético exemplar, bem como uma grande disponibilidade de colaborar com o grupo", escreveu.

Especializado em partículas elementares, Hicheur desenvolvia até 2009 uma carreira acadêmica reconhecida internacionalmente. À época, fazia pós-doutorado na Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça, e trabalhava no Centro Europeu para Física de Partículas. Foi quando se afastou para tratamento médico devido a problemas na espinha e no nervo ciático. Na casa dos pais, na França, começou a frequentar fórum na internet que reúne jihadistas e trocou mensagens com um interlocutor que se identificava como "Phenix Shadow" - segundo a polícia, era Mustapha Debchi, apontado pelo governo da França como integrante da organização terrorista Al Qaeda.

O conteúdo dos e-mails foi divulgado no último fim de semana pela revista "Época". Segundo a publicação, Phenix perguntou a Hicheur se ele estaria disposto a cometer um ataque suicida, e o físico negou. Em seguida, Phenix questionou: "Caro irmão, vamos direto ao ponto: você está disposto a trabalhar em uma unidade de ativação na França? Que tipo de ajuda poderíamos te dar para que isso seja feito? Quais são suas sugestões?"

Cinco dias depois, Hicheur respondeu: "Sim, claro" e afirmou que planejava deixar de morar na Europa, mas que poderia rever esse plano. O físico escreveu que ficaria na Europa para "trabalhar no seio da casa do inimigo central e esvaziar o sangue de suas forças" e sugeriu diversos alvos. "Precisamos trabalhar para acelerar a recessão econômica, ou seja, atingir as indústrias vitais do inimigo e as grandes empresas." Hicheur também mencionou ataques a embaixadas: "Executar assassinatos com objetivos bem estudados: personalidades europeias ou personalidades bem definidas que pertençam aos regimes incrédulos (em embaixadas e consulados, por exemplo)."

As mensagens foram interceptadas pela polícia francesa, que prendeu o físico. Processado, foi condenado a cinco anos de prisão. Detido em 2009, foi libertado em 2012. No início de 2013 foi convidado pelo CBPF, unidade de pesquisa do Ministério da Educação situado na Urca, zona sul do Rio, para participar de um projeto no Brasil. Durante três meses, com bolsa de estudos do CBPF, fez pesquisas e produziu relatório. Voltou para a Europa, mas a polícia suíça o proibiu de entrar no país até 2018. Por isso, não pode voltar ao local onde trabalhava antes da prisão.

Hicheur foi, então, convidado a estender a pesquisa no Brasil, auxiliado por bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Ele teve o currículo aprovado por comissão composta por representantes do Ministério da Educação e do CNPq. Recebeu ajuda mensal de setembro de 2013 a abril de 2015. Simultaneamente, desde julho de 2014, é contratado pela UFRJ. Seu atual contrato termina em julho próximo.

Por conta de um episódio ocorrido ano passado na mesquita que frequenta em Vila Isabel, zona norte, o físico virou alvo de investigação da Polícia Federal, que chegou a fazer operação de busca e apreensão em sua casa e em seu gabinete na UFRJ. A investigação foi arquivada.

O CNPq informou que, para conceder a bolsa, analisou o currículo acadêmico e o mérito do projeto do qual o físico participaria, e que a condenação de Hicheur nunca foi levada em conta. A UFRJ divulgou que não havia nenhum impedimento legal à contratação do professor.

Leia a integra da carta do professor sobre o caso:

"A reportagem intitulada “Um terrorista no Brasil”,

publicada pela revista ÉPOCA, edição 917 datada de

11/01/2016, é baseada em mentiras e apenas recicla de

forma mal feita uma história velha com o objetivo de atacar

minha integridade pessoal. O artigo contem várias

insinuações incorretas e erros graves que devem ser

destacados.

Em primeiro lugar, a reportagem ignorou deliberadamente e

distorceu três fatos muito importantes:

1) Ao contrário do que foi alegado na matéria, eu entrei no

Brasil de forma totalmente oficial _ como um cientista _

após análises detalhadas. Isso incluiu um estudo minucioso

sobre o caso das acusações feitas contra mim na França, que

foram exploradas de forma maliciosa na reportagem. Não

houve nenhum segredo a respeito da minha entrada no

Brasil. Não teve nenhum episódio secreto nisso. Desde que

eu cheguei aqui, em 2013, tenho feito contribuições úteis

para a pesquisa e para o ensino no país.

2) Ao contrário do que sugere a reportagem, eu não tenho

nada a ver com o que aconteceu em janeiro de 2015 na

Mesquita da Luz, no Rio de Janeiro, quando um

desconhecido que nunca havia frequentado aquele lugar,

nem voltou a fazê-lo, teria feito um protesto, ação mostrada

pela reportagem da TV CNN que estava presente

“coincidentemente” naquele local. Eu não estava nem no

Brasil naquele dia. Eu estava a Europa de férias visitando a

minha família.

3) Ao contrário do que afirma a revista, a Polícia Federal

do Brasil não tem nada contra mim.

À luz desta matéria, eu me sinto forçado a resumir o que

aconteceu comigo desde 2009:

O CASO NA FRANÇA (2009)

Eu fui preso pela polícia francesa no fim de 2009 e a única

justificativa desta minha detenção foram minhas visitas aos

chamados websites islâmicos subversivos. Fui privado da

minha liberdade por dois anos apenas com base nisso.

Nenhum outro elemento foi apresentado contra mim. A

acusação estava sustentada em uma alegação feita pela

polícia francesa de que um pseudônimo com o qual eu

entrei em contato em um site seria um integrante de uma

organização terrorista. Assim, segundo a polícia francesa, eu

poderia ser acusado de conspirar para cometer atos

violentos. Formalmente a acusação foi de “associação com

transgressores tendo como intenção cometer atos de

terrorismo”.

Aqui, eu gostaria de chamar a atenção para certos fatos que

foram ignorados pela reportagem da revista Época:

• Eu estava muito doente durante todo o período do

alegado crime de “associação com transgressores”.

Durante seis meses passei por vários hospitais, fui

atendido por inúmeros médicos, como fisiologistas e

reumatologistas. Finalmente fui para a casa dos meus

pais para me recuperar de meus problemas na espinha e

do nervo ciático.

• A acusação não conseguiu apresentar nenhuma prova

material para sustentar seus argumentos.

• Não foi apresentada nenhuma prova de intenção de

cometer qualquer ato.

• Nenhum “ato violento” preciso foi mencionado como

objetivo da alegada conspiração

• Não foi apresentada nenhuma prova de identidade do

chamado pseudônimo, apenas hipóteses mostradas

como “informação de fonte confiável”.

A acusação não sustentou o caso com fatos e evidências. O

caso foi fabricado usando-se partes pinçadas de uma

conversa virtual com o objetivo de mostrar que haveria uma

tentação de considerar a violência como solução para

conflitos internacionais em países árabes e muçulmanos

como Iraque ou Afeganistão.

Eu tenho constantemente dito que sou inocente e denunciei

a minha custódia abusiva e as acusações feitas contra mim.

Também rechacei os métodos inapropriados usados para

fabricar elementos ou transformar hipóteses em quase

certezas.

A INVESTIGAÇÃO SUÍÇA

Desde que fui empregado pelo governo da Suíça como

professor temporário na EPFL (Escola Politécnica Federal

de Lausanne) para trabalhar no CERN (Centro Europeu

para Física de Partículas) _ e portanto eu passava a maior

parte do meu tempo naquele país _ as autoridades suíças

decidiram imediatamente abrir um inquérito pedindo às

autoridades francesas para que enviassem todas as

informações necessárias. A Justiça suíça chegou depois à

conclusão de que nenhum dos elementos apresentados

poderia significar uma acusação contra mim e que não

valeria nem mesmo à pena ir a julgamento. A conclusão do

procurador suíço foi de que “não foi possível identificar o

autor ou os autores da ofensa alegada” (ver link da matéria

publicada pelo jornal “Le Matin”, de janeiro de 2011)

http://www.adlenehicheur.fr/press/oc09m11/2011-

01_13_LeMatin_CH.pdf). Mais tarde, em 2013, após a

minha libertação, aparentemente a polícia suíça e as

autoridades receberam pressão do lado francês para que eu

fosse impedido de ter acesso ao CERN e a EPFL

prejudicando com isso meu esforço de reconstruir minha

vida profissional. A polícia suíça, então, anunciou que

durante cinco anos eu não poderia entrar naquele país.

Tratou-se de uma decisão administrativa e não judicial ou

penal. Uma atitude que contrariava a decisão da

Procuradoria-Geral da Suíça e que ignorava o apoio que a

comunidade científica me prestava desde o início do caso.

APOIO DA COMUNIDADE CIENTÍFICA

Desde que as primeiras acusações foram apresentadas

contra mim e eu fui preso, recebi recebi apoio não somente

da comunidade científica, mas de entidades da sociedade

civil locais e internacionais. Os físicos Jean-Pierre Lees,

Monica Pepe-Altarelli e Jean-Pierre Merlo criaram um

Comitê Internacional de Apoio que contou com a adesão de

centenas de pessoas. Tive o apoio, inclusive, de Jack

Steinberger, Prêmio Nobel de Física, e de Jean Ziegler, vicepresidente

da comissão das Nações Unidas para os Direitos

Humanos (http://soutien.hicheur.pagesperso-orange.fr/).

Este comitê enviou regularmente cartas para autoridades

francesas pedindo a minha libertação e cobrando um

tratamento justo para o meu caso, mas sem sucesso. Um

comitê local de apoio na França foi também criado e reuniu

milhares de assinaturas pedindo a minha libertação e o fim

dos abusos (http://www.adlenehicheur.fr/)

JULGAMENTO E LIBERTAÇÃO

Aqueles que assistiram o julgamento (entre eles físicos e

representantes da sociedade civil) ficaram chocados com as

manipulações e os argumentos vazios apresentados pela

acusação. Ao contrário do que a revista brasileira publicou

na sua reportagem, todas estas pessoas que assistiram o

julgamento estavam perfeitamente cientes de todos os

detalhes apresentados pela acusação. Por exemplo,

Dominique Boutigny, atual director do French High Energy

Computing Center (Centro Francês de Computação para

Física de Altas Energias) escreveu relatórios denunciando

isto:

http://sortirdediaspar.blogspot.fr/2012/03/adlenehicheur-

et-les-lois-dexception.html).

O relatório sobre a decisão final pode ser visto neste link:

http://sortirdediaspar.blogspot.fr/2012/05/adlenehicheur-

verdict.html

E o relatório sobre a minha libertação, neste outro link:

http://sortirdediaspar.blogspot.fr/2012/05/adlenehicheur-

libre.html

HOJE

Eu conto até hoje com o apoio de integrantes da

comunidade científica que me ajudaram para que eu

pudesse voltar a atuar na minha área de especialização.

Tenho lutado para me recuperar desta terrível experiência,

apesar de todos os obstáculos e das perseguições que estão

sendo feitas. Finalmente eu tive sucesso em conseguir voltar

a atuar na área da Física de Partículas através de

instituições brasileiras como o CBPF (Centro Brasileiro de

Pesquisas Física) e o Instituto de Física da UFRJ

(Universidade Federal do Rio de Janeiro), contando com o

apoio de muitos de seus professores e pesquisadores. Eu

consegui voltar a fazer análises em Física de Partículas e a

publicar artigos acadêmicos, voltei a contribuir para a

organização de conferências, voltei a dar aulas e propus

novas ideias nos campos da pesquisa e do ensino.

A reportagem da revista Época é uma tentativa desonesta de

destruir a minha pessoa. Portanto, peço a todos aqueles que

tenham noção de responsabilidade e de ética a condenar

firmemente este artigo e a sua intenção de me denegrir."

Adlène Hicheur

Professor Visitan

Leia a íntegra da resposta da UFRJ sobre o caso

"Como colaboradores da experiência LHCb no CERN, acompanhamos desde o início toda a

problemática envolvendo a prisão do Dr. Hicheur em 2009, então pós-doutorando do instituto de física

da prestigiosa École Polytechnique Fédérale de Lausanne (EPFL). À época da sua prisão, pudemos

observar que as opiniões dos nossos colaboradores europeus fcaram divididas com relação à legalidade

e à legitimidade do arresto. Entretanto, após dois anos de encarceramento, sem acusação defnida,

houve um consenso entre os nossos colegas da arbitrariedade da ação da polícia francesa e do próprio

julgamento. Houveram várias manifestações individuais e coletivas, muitos artigos em jornais e revistas

de toda a natureza, inclusive em três edições da revista Nature, apareceram artigos específcos sobre a

prisão do Dr. Adlene. Este material esta bem documentado no web site:

http://soutien.hicheur.pagesperso-orange.fr/.

Na ocasião da soltura do Dr. Hicheur, fnal de 2012, nós, do grupo do CBPF, associados ao grupo do

Instituto de Física da UFRJ, estávamos trabalhando na análise dos dados do LHCb, coletados em 2010 e

2011. O nosso projeto consistia na busca de assimetria matéria anti-matéria, em desintegrações do

méson B em três corpos. Este projeto se dividia em três analises interligadas entre elas. Entretanto,

devido à complexidade e quantidade de trabalho, somente estávamos conseguindo realizar duas destas

e já estávamos na fnal da coleta dos dados de 2012, portanto teríamos terminar as análises para

agregar os novos dados. Foi então que o coordenador geral do LHCb à época, Prof. Campana, entrou em

contato com agente propondo que o Dr. Hicheur viesse para nos auxiliar nas nossas análises.

Conhecedores da capacidade intelectual do Dr. Hicheur, bem como da sua capacidade de

trabalho, aliado à necessidade que tínhamos de terminar as análises dos dados de 2010 e 2011,

achamos bem interessante a proposta feita pelo manager do experimento. Como também sabíamos da

sua condição de condenado, solicitamos à direção do CBPF na época que fzesse uma consulta sobre se

haveria algum impedimento legal para a vinda do Dr. Hicheur ao Brasil. Essa consulta foi feita a um

embaixador brasileiro e a resposta foi negativa, já que ele era cidadão francês e já havia cumprido a

pena. Além disso solicitamos cartas de recomendação ao diretor do instituto de física do EPFL, ao

supervisor imediato do Dr. Hicheur neste instituto e fnalmente ao diretor do instituto onde ele havia

concluído o doutorado o Laboratoire d’Annecy le Vieux de Physique de Particules (LAPP). Os três

professores enviaram cartas de recomendação entusiasmadas, mostrando satisfação com a possibilidade

do Dr. Hicheur retomar a vida científca, tragicamente interrompida.

O acordo que fzemos com o Dr. Hicheur era que, ao fnal dos três meses de bolsa que havíamos

conseguido dentro do CBPF, ele apresentasse um memorando com os resultados preliminares da análise

que lhe foi designada. Ao fnal dos três meses ele apresentou o trabalho completo que deveria ser

encaminhado e discutido com o restante da colaboração, como de praxe. Ele voltou ao CERN em março

de 2013, onde participou dos debates da colaboração sobre o trabalho de análise que ele tinha liderado,

que teve a sua aprovação fnal, por parte da colaboração ainda em meados de 2013. Esse trabalho foi

publicado na revista Physical Review.

Este envolvimento excepcional no grupo, com resultados de altíssima qualidade, nos motivou a

propor que, ao fnal do seu estagio no CERN, ele voltasse ao CBPF com uma bolsa para o período de um

ano. O seu projeto seria de realizar a mesma análise, agrupando os dados coletados de 2010, 2011 e

2012, com uma estatística três vezes maior que no trabalho anterior. Com base nisso, ele solicitou um

visto de um ano no consulado brasileiro em Genebra, que lhe foi concedido em julho deste mesmo ano.

Ao chegar de volta ao Brasil, iniciou imediatamente o seu trabalho que foi concluído com sucesso e

publicado no Physical Review Letters em meados de 2014, quando teve fm o seu estágio de pós

doutorado no CBPF e foi para a UFRJ como professor visitante.

Podemos atestar, que durante estes quase dois anos de trabalho conjunto, o Dr. Hicheur, além de

realizar um trabalho excepcional, mostrou um comportamento moral e ético exemplar, bem como uma

grande disponibilidade de colaborar com o grupo. Em nenhum momento houve da nossa parte, alguma

percepção de desvio de conduta da sua parte. A matéria veiculada pela revista Época nesta semana,

além de um covarde ataque a uma pessoa com parcas possibilidades de se defender, presta um grande

desserviço a ciência brasileira.

Ignacio Bediaga

Coordenador do LHCb no

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