Fizemos pouco perto do que vamos fazer, diz Maduro, com novos poderes

Presidente venezuelano afirma ter sido 'subestimado' pela oposição antichavista

O Estado de S. Paulo,

20 de novembro de 2013 | 14h02

CARACAS - Poucas horas depois da aprovação da Lei Habilitante, que lhe permitirá governar por decreto na área econômica, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro acusou as principais entidades patronais do país de sabotar a economia e ameaçou ampliar as medidas de controle sobre preço e de combate ao câmbio paralelo.

“A direita me subestimou. O que viram até agora é pouco perto do que vamos fazer para defender o povo e seus direitos, disse o presidente. “Nos bastidores se opera uma operação invisível e secreta que criou uma bolha no comércio para levar a economia ao caos.”

Segundo Maduro, a Fedecámaras (entidade que reúne as principais indústrias do país) a Consecomercio (Associação de Varejistas) e a Venacham (Câmara de Comércio com os EUA) estariam por trás da suposta sabotagem.

A oposição criticou a aprovação da Lei Habilitante, conseguida após uma deputada dissidente do chavismo ter tido o mandato cassado. Ela foi substituída por um parlamentar leal a Maduro, que deu o voto que faltava para o governo ter a maioria necessária para a aprovação.

“ A destruição do país está preparada. Vão passar por cima da alternativa que representamos com ameaças, detenções e cassações”, criticou o líder opositor Leopoldo López.

A Venezuela vive uma grave crise econômica, que tem origem no aumento dos gastos públicos e na diminuição na entrada de dólares no país desde o ano passado. Esse desequilíbrio provocou uma disparada na cotação do dólar no mercado paralelo, que hoje vale dez vezes mais que o oficial, cotado a 6,30 bolívares.

Isso provocou uma alta no desabastecimento em boa parte dos bens de consumo duráveis e não duráveis do país, que são importados. Há duas versões para esse desabastecimento. As empresas importadoras dizem que o acesso aos dólares repassados pelo governo é intermitente. O chavismo acusa os empresários de simplesmente revender a moeda americana no mercado paralelo para ter lucro maiores.

Outro efeito da crise é a inflação. Em boa parte do mercado interno, o dólar paralelo já é adotado como regra para a definição de preços, o que fez o Índice Nacional de Preços (INPC) disparar.  O governo diz que as empresas compram os dólares pelo preço comum e vende os produtos com uma margem de lucro usurária.  Por isso, por decreto, Maduro cortou em até 70% os preços de roupas e eletrodomésticos.

Economistas argumentam, no entanto, que em razão do difícil acesso aos dólares, os revendedores já embutem o preço do dólar paralelo nos produtos temendo futuras perdas. Nos últimos doze meses, a inflação na Venezuela chegou a 64% e espera-se que termine o ano em 58%. /EFE

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