Flórida antecipa primária e complica calendário eleitoral dos EUA

Outros Estados também devem antecipar decisão.

Alessandra Corrêa, BBC

30 Setembro 2011 | 19h15

A decisão da Flórida de antecipar sua primária para a escolha do candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, anunciada na manhã desta sexta-feira, provocou revolta entre os outros Estados e deverá alterar o calendário da corrida à Casa Branca.

Um dos Estados decisivos na escolha do presidente americano, a Flórida desafiou as regras do Partido Republicano e anunciou que sua primária será realizada em 31 de janeiro de 2012.

Segundo analistas políticos e os nove membros da comissão estadual que decidiu a mudança de data, a medida teve como objetivo aumentar a influência da Flórida no processo eleitoral.

Nos Estados Unidos, diferentemente do Brasil, a eleição presidencial segue um longo processo, no qual, em casa Estado, os dois principais partidos - o Democrata (do presidente Barack Obama) e o Republicano - realizam primárias (votação por meio de cédulas) e caucus (espécies de convenções) para ganhar a adesão de delegados.

Serão esses delegados que, posteriormente, irão escolher o candidato que irá concorrer pelo partido na eleição presidencial, marcada para novembro de 2012.

Com a decisão da Flórida, Iowa, New Hampshire, Nevada e Carolina do Sul deverão também antecipar suas votações.

De acordo com as regras eleitorais americanas, esses quatro Estados são os únicos com permissão para realizar prévias antes de 6 de março, e promoveriam suas primárias e caucus respectivamente nos dias 6, 14, 18 e 28 de fevereiro.

Reações

A intenção da Flórida de antecipar sua primária já era conhecida, mas a decisão foi recebida com críticas pelos outros Estados que tradicionalmente dão início à temporada de votações.

Minutos após o anúncio, o líder do Partido Republicano em Iowa, Matt Strawn, emitiu um comunicado no qual afirma que a "arrogância" demonstrada pelas autoridades eleitas da Flórida "é decepcionante, mas não surpreendente".

"As consequências da intransigência da Flórida devem vir rápidas e severas", disse Strawn, ao pedir que o Partido Republicano cumpra com a promessa de punir o Estado.

O Comitê Nacional Republicano ameaça cortar metade dos delegados da Flórida na convenção para escolher o candidato do partido, marcada para agosto, em Tampa.

A briga dos Estados para iniciar o processo de votação se deve à maior atenção que essas prévias recebem por parte dos candidatos, o que aumenta as chances de que problemas locais sejam tratados com mais atenção pelo futuro presidente.

Os primeiros Estados a realizar prévias também lucram com os recursos extras decorrentes das visitas frequentes dos candidatos e da imprensa e da propaganda eleitoral nos meios de comunicação.

Iowa é tradicionalmente o primeiro Estado a realizar um caucus, enquanto New Hampshire inicia a temporada de primárias.

Strawn já anunciou que pretende manter Iowa como o primeiro no calendário.

"A data final do Caucus de Iowa será anunciada assim que New Hampshire define a data de sua primária", disse o líder republicano.

Autoridades de New Hampshire já falam até em realizar sua primária em dezembro, "caso seja necessário", para manter a tradição de abrir o calendário eleitoral.

Candidatos

Na prática, a antecipação do calendário eleitoral republicano significa que a data final para que políticos se candidatem oficialmente à indicação do partido também será mais cedo do que o previsto.

Essa mudança obrigaria nomes como Sarah Palin, ex-candidata à vice-presidência em 2008, ou Chris Christie, governador de Nova Jersey, a antecipar sua decisão sobre concorrer ou não à indicação do partido.

Analistas afirmam que a alteração do calendário poderia beneficiar candidatos como Mitt Romney, que já estão há mais tempo na corrida eleitoral e já têm uma campanha mais sólida.

Ex-governador de Massachusetts, Romney é um dos melhores colocados nas pesquisas de intenção de voto, ao lado do governador do Texas, Rick Perry.

No entanto, analistas afirmam que o Partido Republicano parece ainda não ter um nome mais forte que realmente se destaque na disputa.

No Partido Democrata, Obama concorre à reeleição sem adversários, mas enfrenta queda em seus índices de popularidade à medida que os problemas econômicos do país se agravam. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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