EFE/EPA/CRISTOBAL HERRERA
EFE/EPA/CRISTOBAL HERRERA

Flórida fará recontagem de votos nas disputas para governador e senador

Lei do Estado estabelece a obrigação de recontar todos os votos quando a diferença entre dois candidatos é de 0,50 pontos ou menos no final da contagem

O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2018 | 17h13
Atualizado 10 Novembro 2018 | 18h27

MIAMI - As autoridades eleitorais da Flórida ordenaram neste sábado, 10, a recontagem dos votos para as eleições de governador e senador, uma medida sem precedentes nesse Estado americano que atrasou cinco semanas para decidir as eleições presidenciais de 2000. As eleições de meio de mandato ocorreram na terça-feira.  Os resultados da nova contagem deverão ser comunicados às autoridades da Flórida até as 15h do horário local de quinta-feira (18h de Brasília).

O secretário de Estado da Flórida, Ken Detzner, deu a ordem de recontagem nas duas disputas uma vez que os resultados extraoficiais mostravam uma diferença de votos entre os candidatos menor do que a mínima exigida para ativar automaticamente uma nova recontagem. A lei da Flórida estabelece a obrigação de recontar todos os votos quando a diferença entre dois candidatos é de 0,50 pontos ou menos no final da contagem, e até mesmo obriga a contá-los manualmente se for 0,25 pontos ou menos. 

Os resultados extraoficiais mostram que para o governo do Estado, o ex-deputado republicano Ron DeSantis liderava, à frente do prefeito da capital, Tallahasse, o democrata Andrew Gillum, por menos de 0,5 pontos porcentuais. 

Para a vaga no Senado, estão competindo o governador republicano Rick Scott e o atual senador pela Flórida, o democrata Bill Nelson

A recontagem dos votos reflete quão divididos estão os eleitores desse Estado que terá papel-chave nas eleições de 2020. Ela determinará se Nelson voltará a Washington para um quarto mandato ou se a maioria republicana aumentará no Senado. Eles terminaram com uma diferença de votos abaixo de 0,15 pontos.

Gillum, por sua vez, havia concedido sua derrota na quarta-feira à noite, mas quando a contagem começou a indicar que a diferença entre ele e DeSantis havia se reduzido, disse que cada voto deveria ser contado. Ele retirou hoje sua declaração de quarta.

De Santis não quis comentar sobre a recontagem e está procedendo como se sua vitória já estivesse garantida, nomeando uma equipe de transição e preparando para assumir o governo em janeiro. 

Senado

A batalha para o posto de Nelson tem sido mais acalorada. Ambos apresentaram requisições e trocaram acusações. Scott disse que Nelson está tentando roubar a eleição, enquanto Nelson acusa Scott de tentar evitar uma nova contagem final dos votos. 

O presidente Donald Trump apoiou Scott, dizendo que a situação é uma "vergonha". Scott pediu à polícia da Flórida que investigue os departamentos eleitorais dos condados de Broward e Palm Beach, que tendem a ser democratas, em South Beach, logo que a vantagem que tinha se reduziu durante a contagem. 

No entanto, um porta-voz da agência policial disse que não havia acusações críveis de fraude, e por isso nenhuma investigação estava ativa. / AP e EFE  

PARA LEMBRAR 

Em 2000, a votação no Estado da Flórida também causou controvérsia. Na disputa presidencial entre o republicano George W. Bush e o democrata Al Gore, o resultado mostrou vitória de Bush na Flórida por apenas 1.748 votos. Gore pediu uma recontagem que fez a vantagem de Bush cair para cerca de 300 votos. Os democratas exigiram que os votos de alguns condados fossem contados manualmente, alegando que defeitos na cédula eleitoral prejudicaram a escolha no candidato do partido. A Suprema Corte da Flórida autorizou a recontagem e Bush apelou para a Suprema Corte Federal. O tribunal decidiu por 5 votos a  4 que uma nova contagem feria a lei. Com isso, Bush foi declarado eleito.


 

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