Flórida pode enterrar a candidatura de Giuliani

Se não vencer as primárias de terça-feira na Flórida, a candidatura do ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani fica por um fio e o pré-candidato republicano terá ido do céu ao inferno em tempo recorde. Até o início de janeiro, ele liderava a corrida presidencial republicana com folga. Depois de abrir uma vantagem de 15 pontos porcentuais sobre seus adversários, hoje Giuliani não passa de um quarto lugar, à frente somente do deputado Ron Paul.Os analistas são unânimes em apontar a estratégia arriscada de Giuliani como a grande vilã de sua candidatura. Diante da ampla liderança que tinha, ele abandonou a campanha nos Estados de Iowa, New Hampshire, Wyoming, Michigan, Nevada e Carolina do Sul, e preferiu investir tempo e dinheiro na Flórida, onde passou mais de 50 dias entre palestras, eventos e comícios.O raciocínio de seu comitê de campanha era o de que a corrida republicana seria apertada e que nenhum candidato conseguiria assumir a dianteira antes das primárias da Flórida. Até aí, ele acertou em cheio. Mike Huckabee, John McCain e Mitt Romney dividiram as seis primeiras prévias - Romney venceu três vezes, McCain duas e Huckabee uma.Contudo, enquanto seus concorrentes percorriam o país e ganhavam espaço na mídia, Giuliani permaneceu encastelado na Flórida, como se estivesse concorrendo ao cargo de governador do Estado. De maneira melancólica, o ex-prefeito de Nova York terminou em último lugar em cinco das seis primárias realizadas até agora.O resultado imediato foi catastrófico para Giuliani. Todo o seu patrimônio eleitoral foi dilapidado. Além de cair nas pesquisas nacionais - de cerca de 30% no início de janeiro para os 13% de agora -, ele praticamente perdeu a Flórida. De acordo com pesquisa do instituto Insider Advantage, divulgada na quinta-feira, o ex-prefeito de Nova York aparece em terceiro lugar no Estado com 16% dos votos - McCain e Romney estão empatados na frente com 23%. "Uma derrota agora pode ser fatal", reconheceu o candidato no início da semana. MODERADOPoucas pessoas nos EUA encarnaram mais do que Giuliani a luta contra os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Neto de imigrantes italianos, fanático torcedor da equipe de beisebol dos Yankees, foi prefeito de Nova York por oito anos (1994-2002), onde fez fama com a política batizada de tolerância zero, que reduziu a criminalidade na cidade, mas que lhe rendeu diversas acusações de abusos policiais.Para muitos membros tradicionais do Partido Republicano, no entanto, Giuliani não passa de um moderado que apóia o casamento gay, o aborto, as pesquisas com células-tronco e a restrição do uso de armas de fogo - péssimas credenciais para quem quer ser candidato por um partido conservador. Seja como for, Giuliani já fez história. Se ganhar na Flórida e garantir a nomeação do partido, ele entrará para a galeria de gênios da política como sendo protagonista da maior reação da campanha presidencial americana de todos os tempos. Se perder, ficará conhecido como o homem que conseguiu jogar fora uma vitória quase certa mais rápido do que qualquer outro candidato.

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