AP Photo/Christian Bruna
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Fluxo de refugiados para a Europa deve dobrar em 2016

Em nove semanas, 130 mil pessoas entraram no continente europeu, segundo dados divulgados pela ONU

Jamil Chade, CORRESPONDENTE / GENEBRA

01 de março de 2016 | 11h57

GENEBRA - O fluxo de refugiados na Europa pode dobrar em 2016, em comparação a 2015, e a ONU  alertou nesta terça-feira, 1, para uma crise humana nos portos gregos, a porta de entrada de milhares de pessoas no continente.  Dados apresentados em Genebra apontam que, em apenas nove semanas, o número de refugiados e imigrantes cruzando as fronteiras europeias superou todo o fluxo de 2014, com 130 mil novas chegadas. 

No ano passado, 1 milhão de pessoas desembarcaram nas costas europeias vindos principalmente na Síria e Iraque. Se o atual ritmo for mantido, a marca de 1 milhão pode ser atingida já em agosto.  Para a ONU, existe uma "crise humana iminente" na Grécia diante das barreiras que países vizinhos estão estabelecendo para impedir que os estrangeiros que chegam nas ilhas gregas consigam continuar caminho em direção a outros países europeus. 

Na segunda-feira, por exemplo, 24 mil pessoas na Grécia precisam de algum tipo de acomodação. 8,5 mil deles estavam em Eidomeni, na fronteira com o território macedônio. 1,5 mil passaram a noite ao ar livre. "As condições estão levando à falta de alimentos, água e saneamento", disse a ONU. "A tensão aumenta, alimentando a violência", alertou.  

A ONU apelou ontem para que a Europa volte a debater a situação, depois que diversos países passaram a ignorar as regras e construir novas cercas. "A Grécia não pode lidar com a crise sozinha", indicou. 

Na avaliação da entidade, a Europa precisa recuperar de forma "urgente" o projeto de realocar os refugiados entre os 28 países do bloco. Das 66 mil pessoas hoje vivendo na Grécia, apenas 1,5 mil foram indicadas para realocação em outros destino. Desse total, apenas 325 foram de fato transportadas para seus novos países.

"Pedimos que a Grécia e outros países atuem com rapidez para evitar um desastre humanitário", indicou.

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