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Fluxo fácil de radicais entre Europa e Síria preocupa UE

Especialistas no combate ao terrorismo islâmico dizem que fracasso em identificar ameaça levanta velhas questões

Katrin Bennhold, THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2015 | 21h26

Um dos terroristas dos ataques em Paris viajou para a Síria saindo de sua cidade natal, na França, e depois voltou, afirmam funcionários do governo, mesmo depois de seu passaporte ter sido confiscado e ele ter sido colocado sob vigilância judicial. A mesma coisa foi feita por outro participante dos atentados, apesar de ter sido detido oito vezes por pequenos delitos e ter sido colocado numa lista de pessoas que representam risco para a segurança nacional.

Acredita-se que até mesmo o homem suspeito de ter organizado o massacre na sexta-feira, Abdelhamid Abaaoud, figura conhecida no cenário jihadista belga, tenha viajado entre o território controlado pelo Estado Islâmico e a Europa várias vezes.

Os ataques de Paris, os mais violentos na França até agora, acentuaram o foco na incapacidade dos serviços de segurança para monitorar o crescente número de jovens muçulmanos europeus que aderem ao EI.

Seis dos terroristas de Paris eram europeus que viajaram para a Síria e voltaram para realizar ataques em seus países de origem – precisamente o cenário de pesadelo sobre o qual funcionários do setor de segurança vinham advertindo nos últimos dois anos.

“Esse é o ataque que todos temiam e finalmente ocorreu”, disse Louis Caprioli, que foi chefe adjunto da unidade de contraterrorismo doméstico entre 1998 e 2004. “Um ataque com um grande número de vítimas contra vários alvos fáceis, executado aparentemente com conhecimento militar.”

O fracasso em detectar o plano de ataque levantou velhas questões com nova urgência: pode a ameaça ser contida na Europa sem um brusco aumento nos esforços militares para destruir o Estado Islâmico na região que ocupa na Síria e no Iraque? O sistema informal de compartilhamento de informações da Europa é adequado tendo em vista tais ameaças? E os serviços de inteligência precisam de ainda mais recursos e poderes de vigilância?

Os últimos ataques parecem validar os temores, tanto em escala quanto em alcance. O conflito na Síria representa uma nova ameaça de segurança aos países do Ocidente e da Europa, em particular. O número de europeus atraídos para lutar a jihad aumentou para 3 mil em pouco mais de dois anos. E o vasto território controlado pelo Estado Islâmico oferece aos militantes a oportunidade de treinar em combate e a aprender a fabricar bombas, conhecimento que eles podem aplicar em operações terroristas em seus países de origem.

A ameaça dos jihadistas que retornam não é nova. Mas o tráfego de pessoas para e da Síria é muito maior em razão do acesso mais fácil para a Europa e da poderosa máquina de propaganda do Estado Islâmico, que pinta uma terra prometida de virtudes religiosas, uma comunidade muçulmana e uma revolução justa com frases religiosas de efeito, dizem analistas. / TRADUÇÃO DE PRISCILA ARONE

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