FMI alerta que cerco ao Irã encarecerá petróleo

Fundo estima que embargo à venda do produto iraniano e sanções financeiras elevarão o preço do barril entre 20% e 30% no mercado global

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2012 | 03h02

O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou ontem um relatório no qual alerta que o preço do barril do petróleo poderá subir entre 20% e 30% como consequência do embargo ao petróleo e das sanções financeiras impostas por União Europeia e EUA ao Irã. Em Teerã, o Parlamento começou ontem a elaborar uma lei para bloquear imediatamente as exportações para a Europa.

O alerta do FMI foi enviado em nota a delegados dos países do G-20 que se reuniam ontem no México. No início da semana, a UE aprovou um embargo ao petróleo iraniano. Quase 20% do óleo exportado pelo Irã tem como destino a Europa, mas, como o bloqueio envolve também empresas europeias que revendem o petróleo iraniano a outros países, estima-se que até 50% das transações mundiais de Teerã sejam afetadas pela decisão.

Ontem, a petrolífera francesa Total anunciou o fechamento de seu escritório e o fim de todas suas operações no Irã.

A Europa estabeleceu um prazo de seis meses para a entrada em vigor do embargo, dando tempo a seus 27 países para buscar alternativas. Americanos e europeus ainda estabeleceram um bloqueio financeiro quase completo ao Irã.

Segundo o FMI, o cenário para a economia global ficará ainda mais sombrio se o Irã levar adiante a ameaça de fechar o Estreito de Ormuz, por onde passa mais de um terço do fluxo mundial de petróleo. "O bloqueio do estreito seria visto pelo mercado como uma intensificação da tensão", alertou o FMI.

Segundo os economistas do fundo, o impacto do embargo seria grande em razão dos baixos níveis de estoque no mercado do petróleo. O alerta acabou se transformando numa pressão inesperada contra os esforços dos EUA e da Europa para reunir aliados em torno da ideia de endurecer suas posições contra o programa nuclear iraniano e forçar Teerã a voltar a negociar.

Washington busca alternativas para impedir que, justamente nos meses que antecedem às eleições, a tensão com o Irã custe caro ao consumidor americano e às pretensões de Barack Obama para ficar outros quatro anos no poder.

Para o FMI, porém, a realidade é que as sanções representariam um exclusão de 1,5 milhão de barris de petróleo do mercado internacional a cada dia, equivalente ao que ocorreu durante a guerra na Líbia. O alerta vem no momento em que o FMI revê para baixo a expansão da economia mundial e alerta para o risco de recessão.

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