FMI apresenta mais exigências à Argentina

Há poucos meses, o presidente Eduardo Duhalde lamentou a política de extremo rigor que o Fundo Monetário Internacional (FMI) estava tendo com a Argentina. "Parece que sempre que a gente está se aproximando da fita de chegada, o pessoal do Fundo afasta a fita para mais longe, e mais uma vez, temos que continuar correndo", disse na ocasião. O lamento de "El Cabezón" (O Cabeção), como é conhecido o presidente, mostrou ser uma realidade. Mais uma vez, quando parecia que as negociações com o FMI entravam em uma reta final, o organismo financeiro decidiu apresentar novas exigências. Segundo fontes do organismo financeiro internacional citadas pelo jornal Clarín, o mais importante do país, o chefe da missão do FMI para a Argentina, o economista britânico John Thorton, teria informado a equipe do ministro da Economia, Roberto Lavagna, que o Fundo agora exige que o governo argentino implemente uma profunda reestruturação dos bancos estatais. Até a semana passada, o governo Duhalde esperava conseguir o fechamento de um acordo financeiro até meados de setembro. Mas o panorama que surge indicaria que as negociações poderiam prolongar-se por mais tempo. Thorton, chamado por seus colegas do Fundo como "o homem da Funerária", teria afirmado que é preciso que os bancos estatais "encolham". Segundo o chefe da missão, o governo teria que implementar medidas que diminuam o número de depósitos novos que os correntistas argentinos estão abrindo no Banco de la Nación e no Banco de la Província de Buenos Aires (Bapro), os dois maiores bancos estatais do país. Nos últimos meses, com o abandono de diversos bancos privados do país (cujas casas matrizes não respaldaram as filiais na Argentina), os correntistas argentinos começaram a preferir os bancos estatais, transferindo para ali grande parte das contas que estão retidas dentro do "corralito" (semicongelamento de depósitos bancários). Com esta nova exigência, o governo se depara com um novo problema, já que a interferência nos bancos estatais é considerada impopular, além de ter a resistência férrea no Congresso Nacional. "O homem da funerária" também comunicou à equipe de Lavagna que os bancos estatais terão que ter restrições para a expansão de seus negócios comerciais. Desde o início do ano, os únicos bancos que abriram novas filiais foram os estatais. Thorton também teria pedido a suspensão de redescontos, por parte do Banco Central, aos estatais. Além disso, o FMI pretenderia impedir que os poderosos Banco de la Nación e o Bapro aproveitem as falências de pequenos bancos privados para adquiri-los e assim, aumentar sua presença no sistema financeiro. Outro ponto exigido pelo Fundo é o de colocar a estratégia dos bancos estatais nas mãos de auditores internacionais e representantes dos bancos de investimentos. Amanhã, o presidente do Banco Central, Aldo Pignanelli, definirá se permanece no comando do BC. Na sexta-feira, apresentou sua renúncia, mas o governo pediu que permanecesse. Se ele renunciar, será o terceiro presidente do BC a deixar o posto em menos de um ano. O motivo da ameaça de renúncia é o choque constante de Pignanelli com o ministro Lavagna por causa do "corralito", o qual o presidente do BC pretende abrir. Hoje, Lavagna desmentiu que esteja em clima de guerra com Pignanelli. Leia o especial

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