REUTERS/Vicente Gaibor del Pino
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FMI aprova crédito de emergência para Equador combater o novo coronavírus

Fundo liberou US$ 643 milhões ao país, que também enfrenta a queda no preço do petróleo e já tem mais de 26 mil casos confirmados da covid-19

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2020 | 12h33

QUITO - O Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou na sexta-feira 1.° de maio um crédito de emergência para o Equador, de US$ 643 milhões, em meio à crise provocada pelo novo coronavírus, anunciaram fontes da instituição financeira. A direção do FMI decidiu conceder o crédito mediante o chamado Instrumento de Financiamento Rápido (IFR). O Equador enfrenta uma crise dupla, causada pela pandemia e pela queda dos preços do petróleo.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), há mais de 26.300 casos confirmados do novo coronavírus no Equador, com mais de mil mortos, o que provocou uma emergência sanitária, principalmente na cidade de Guayaquil, capital industrial do país. As imagens de cadáveres e o colapso do sistema de saúde equatoriano chocaram o mundo nas últimas semanas.

Com uma população de 17,5 milhões de pessoas, o Equador ocupa o terceiro lugar em número de mortes em razão da covid-19 na América Latina, atrás do Brasil e do México, conforme os últimos números oficiais.

Até 2020, o FMI espera um declínio acentuado no PIB do Equador, de 6,3%, devido à recessão global causada pela pandemia. O crédito obtido por meio do IFR faz parte do programa de três anos firmado pelo governo de Lenín Moreno em 2019.

Esse empréstimo de US$ 4,2 bilhões envolveu um programa de cortes e ajustes fiscais que levou a uma onda de manifestações em outubro de 2019, quando o governo aumentou os preços dos combustíveis. Episódios de violência relacionados aos protestos deixaram dez mortos. 

Produção e empregos. 

O Ministério da Economia e Finanças do Equador destacou que o crédito aprovado na sexta-feira está disponível gratuitamente e em "condições favoráveis", com juros de 1,05% para cinco anos, e três anos de carência. "Esse financiamento fornecerá a liquidez necessária para apoiar a reativação da produção e a proteção dos empregos", afirmou o Ministério, em um comunicado.

A pasta acrescentou que, na próxima semana, o Banco Mundial vai analisar um fundo de US$ 500 milhões para o país e, além disso, a Corporação Andina de Fomento (CAF) acrescentará US$ 300 milhões.

Eric LeCompte, da organização Jubilee USA Network, observou que "devido às altas dívidas e a políticas de austeridade, países como o Equador não podem fornecer serviços básicos de saúde para lidar com o coronavírus". "E muito menos para ajudar seu povo a sobreviver a esse desastre econômico", disse em um comunicado. / AFP

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