FMI diz que Argentina foi inábil em cumprir metas

O Fundo Monetário Internacional disse hoje que sua decisão de não liberar neste momento a parcela de US$ 1,3 bilhão para a Argentina foi baseado na inabilidade do país em cumprir com as metas fiscais para 2001, previstas no acordo de crédito de US$ 22 bilhões firmando com o Fundo. O diretor de relações externas do FMI, Thomas Dawson, disse que as negociações para salvar o programa da Argentina continuam, mas que eles não estão considerando o abandono do atual regime cambial que atrela o peso ao dólar na base de 1 para 1. O FMI anunciou ontem que, depois de analisar o cenário econômico e financeiro na Argentina, sua gerência foi incapaz de completar a revisão regular do programa de crédito e suspendeu o próximo desembolso de US$ 1,3 bilhão previsto para este mês. Thomas Reichmann, chefe da missão do FMI na Argentina, retornou a Washington no início da semana e o restante do grupo estará retornando esta noite, disse o porta-voz do Fundo. "A questão que a missão estava considerando era o desempenho do programa em 2001, assim como um acordo sobre o programa para 2002", explicou Dawson. "As questões que têm preocupado são claramente no lado fiscal, e sobre como as autoridades poderão cumprir as metas que eles mesmos estabeleceram - que o Fundo está apoiando - no lado fiscal. Acho que seria incorreto fazer qualquer conclusão mais ampla sobre qual era o objetivo da missão ou quais foram as conclusões", disse. Enquanto minimizava as especulações do mercado de que o FMI estaria pressionando o governo da Argentina para abandonar o regime de conversibilidade, Dawson reconheceu que o Fundo "não está inconsciente de questões mais amplas" por trás da acentuada crise financeira da Argentina. "Há outras questões, mas elas são fortemente fiscais e não, eu repito, não questões de regime cambial", destacou Dawson. O porta-voz do FMI disse que o governo "tem um forte comprometimento com esse regime (de conversibilidade), que proporcionou grandes benefícios à Argentina ao longo da última década. Este não é o momento para se considerar outras questões mais cósmicas", disse. Dawson não quis dar uma data para o retorno da missão a Buenos Aires, embora tenha destacado que o Fundo tem um representante que mora na capital argentina para assegurar que a contínua comunicação com o governo seja mantida. "O que está acontecendo é que fomos incapazes de encontrar o programa (de empréstimo) de acordo com as próprias metas estabelecidas pelas autoridades, portanto, não nos foi possível seguir adiante com a revisão. Esta não é uma ocorrência incomum no programa do Fundo", disse sobre a decisão de suspender a liberação do empréstimo. O ministro argentino da Economia, Domingo Cavallo, confirmou hoje que assinou decreto transferindo recursos de depósitos a prazos fixos de fundos de pensão para o Banco Nácion. Com isso, o governo pagará aposentadorias e salários do funcionalismo este mês, emitindo, em troca, Letes para os fundos de pensão. O ministro não informou valores. O mercado estima um total de US$ 3 bilhões.O líder da CGT dissidente na Argentina, Hugo Moyano, anunciou hoje uma greve geral de 24 horas para o dia 13 de dezembro, em protestos contra as últimas medidas econômicas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.