FMI pede que Itália tome 'medidas decisivas' contra dívida

Fundo pressiona governo italiano por medidas de austeridade, em meio a temores de que o país seja afetado por crise de endividamento.

BBC Brasil, BBC

13 de julho de 2011 | 13h12

O Fundo Monetário Internacional (FMI) pediu à Itália, nesta quarta-feira, que tome ''medidas decisivas'' para cortar gastos, na tentativa de reduzir a dívida do país.

A instituição teme que mais países da zona do euro com dívidas elevadas, como a Itália, mergulhem em uma crise similar à da Grécia.

O governo da Itália anunciou que pretende em breve anunciar um novo orçamento que incluirá medidas de austeridade.

''Os diretores (do FMI) frisaram ser decisiva a implementação do pacote e vários deles disseram que cortes de gastos teriam um efeito positivo sobre os efeitos do mercado'', afirmou o FMI em um relatório divulgado nesta quarta-feira.

O documento afirma ainda que a Itália precisa fornecer mais detalhes sobre seus planos de promover uma reforma tributária e que o governo precisa fazer mais para impulsionar a economia.

''Apenas o crescimento sustentável vai reduzir o fardo da dívida pública'', diz o texto.

Segundo as estimativas do FMI, a economia italiana crescerá apenas 1% neste ano, contra 1,3% no ano passado.

Temor

Também nesta quarta-feira, o ministro das Finanças italiano, Giulio Tremonti, afirmou que o governo tomará medidas contra a crise.

''Nós precisamos fazer mais e faremos mais nas próximas horas'', disse.

Temores em relação às finanças da Itália fizeram com que o principal índice de referência da Bolsa de Valores de Milão, o FTSE MIB, caísse um total de 4% na terça-feira, recuperando em seguida para 1,2%.

Tremonti está propondo um total de 48 bilhões de euros em cortes ao longo de três anos e afirma que pretende reduzir o déficit italiano a zero até 2014. Atualmente, o déficit representa 3,9% do PIB do país.

O atual presidente do Banco Central da Itália, Mario Draghi, que assumirá em breve a presidência do Banco Central Europeu (BCE), criticou a maneira como a classe política europeia administrou a crise econômica nos países da zona do euro.

De acordo com Draghi, que substituirá o francês Jean-Claude Trichet no BCE, a adoção de soluções parciais e temporárias só serviu para aumentar a incerteza na zona do euro.

Draghi também pediu a adoção urgente na Itália de medidas de austeridade, que vem sendo discutidas no Parlamento do país.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Tudo o que sabemos sobre:
economiaitáliafmidecisivasdívida

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.