FMLI: não nos submetemos às leis filipinas porque somos força revolucionária

Fundado em 1984, o FMLI é a maior organização separatista das Filipinas com mais de 12.000 militantes

EFE

23 de agosto de 2008 | 04h12

A rebelde Frente Moura de Libertação Islâmica (FMLI), acusada de matar crianças e idosos e de cometer outras atrocidades que acontecem no sul das Filipinas, afirmou neste sábado que não está sujeita às leis do país porque é uma força revolucionária. "Não podemos submeter nossos membros às leis do Governo. Nós somos uma força revolucionária", disse o presidente da FMLI, Al Hajj Murad, em entrevista coletiva em Mindanao, a maior a ilha do sul do arquipélago filipino e em cujo solo o Exército e elementos do grupo insurgente lutam há três semanas. Murad - que com esta declaração expressava sua recusa a entregar os dois chefes rebeldes que o Governo exige para retomar as conversas de paz, Abdurahman Macapaar, conhecido como "Comandante Bravo", e Umbra Kato - também voltou a rejeitar uma renegociação da minuta que tinham acordado com as autoridades o mês passado. A oposição originada por esta minuta sobre os territórios que cobrirá a futura autonomia muçulmana e os atributos que terá é a causadora do recrudescimento da violência. O FMLI insiste em que o acordo é válido, embora nunca tenham chegado a carimbar o memorando porque a Corte Suprema paralisou no dia 5 de agosto o ato da assinatura para estudar os recursos de ilegalidade que recebeu. O Governo da presidente Gloria Macapagal Arroyo, por sua parte, agora diz agora que não vai assiná-lo e que é preciso renegociá-lo. Enquanto isso, pelo menos 112 pessoas morreram, muitas delas civis, e outras 200.000 fugiram de seus lares nos combates e operações dos militares e dos insurgentes que acontecem nas províncias de Cotabato do Norte, Lanao do Norte e do Sul, Maguindanao, Shariff Kabunsuan e outras partes do sul de Filipinas. O diretor para a região Ásia-Pacífico da Anistia Internacional, Sam Zarifi, disse ontem que "as unidades do FMLI que atacaram aldeias cometeram graves violações das leis internacionais" e pediu que os responsáveis fossem julgados. O aparelho de propaganda do FMLI culpou também as tropas governamentais por crimes e denunciou que uma menina de nove anos morreu e que sua irmã menor, de oito anos, ficou gravemente ferida por causa das balas disparadas "indiscriminadamente" por soldados sexta-feira à noite em Mindanao. Fundado em 1984, o FMLI é a maior organização separatista das Filipinas com mais de 12.000 militantes.

Tudo o que sabemos sobre:
FMLI

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.