Foco no Japão será condução de programa econômico

A vitória robusta do Partido Liberal Democrático (PLD) no Japão deve apoiar os preços das ações e manter o iene sob pressão nos próximos meses, mas uma melhora maior na confiança do investidor vai depender da capacidade do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, de executar seu programa econômico.

STEFÂNIA AKEL, Agência Estado

21 de julho de 2013 | 19h05

O PLD e seu parceiro de coalizão alcançaram neste domingo uma confortável maioria na Câmara Alta do Parlamento. O fato é positivo para os mercados porque o controle das duas câmaras do legislativo permitirá ao governo obter com mais facilidade a aprovação de projetos para crescimento e outras reformas.

Mesmo assim, o partido de Abe não conseguiu o controle da Câmara Alta sozinho - um resultado que, segundo muitos analistas, pode desapontar alguns investidores estrangeiros, como fundos de hedge, e provocar uma alta breve do iene. Muitos investidores esperavam que uma vitória decisiva do PLD facilitasse o caminho para que Abe implementasse medidas para impulsionar a economia, enfraquecer o iene e motivar lucros corporativos.

"Muitos investidores estrangeiros acreditavam que havia alguma possibilidade de o PLD conquistar sozinho a maioria", disse Yunosuke Ikeda, estrategista do Nomura Securities, citando uma pesquisa realizada pouco antes das eleições deste domingo.

"Haverá alguma realização de lucros e compras do iene", disse Ikeda, projetando que o dólar pode cair abaixo de 99 ienes durante a sessão asiática desta segunda-feira, ante 100,64 ienes no fim da tarde de sexta-feira, em Nova York. Até o fim do ano, ele acredita que o dólar permanecerá entre 100 e 105 ienes - uma previsão compartilhada por outros analistas financeiros.

Para o mercado acionário, alguns gestores de fundos afirmam que o resultado pode fornecer um pequeno impulso, mas não um rali das ações. Na medida em que as eleições se aproximavam, o índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, entrou em rali após atingir uma mínima em meados de junho. Desde então, o índice avançou 17%.

Naoki Kamiyama, estrategista do Bank of America Merrill Lynch em Tóquio, disse que espera somente um avanço mediano no Nikkei, para 15.500 pontos, até o fim do ano, em relação ao fechamento de 14.589,91 pontos de sexta-feira. "O foco do mercado deve sair de questões ligadas ao Japão e se direcionar para as economias globais e dos EUA", afirmou.

Futuro

As atenções agora se voltam para o comprometimento de Abe em realizar mudanças que reformem o sistema tributário, diminuam a proteção comercial e aliviem outras regulações. "Houve muito falatório antes da eleição", disse Masayuki Kubota, gestor da Daiwa SB Investments, citando as conversas sobre a redução do imposto corporativo japonês, um dos mais altos entre os países industrializados. "Precisamos avaliar as políticas pós-eleição para determinar o que era falatório e o que é real."

Os investidores estarão especialmente atentos ao plano do premiê de dobrar o imposto sobre vendas nacionais, atualmente em 5%, em duas etapas, a partir do ano que vem. A expectativa é de que um adiamento desse aumento de impostos provoque vendas de bônus do governo japonês e alta nos yields (retorno ao investidor) devido às preocupações com a dívida pública do país, agora mais de duas vezes o tamanho da economia japonesa.

Por enquanto, a reação pós-eleição no mercado de bônus deve ser contida. "Implementar o aumento de impostos é o primeiro passo para reconstruir as finanças públicas. O resultado da eleição não dá razões para vender bônus", disse Teruyoshi Sotome, estrategista do Mizuho Securities. Fonte: Dow Jones Newswires.

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