Fogo amigo começa a produzir importantes baixas

O fogo amigo, o terror dos planejadores militares das operações de ataque de média e alta intensidade, começou a produzir baixas importantes entre as forças da coalizão americano-britânica. O identificador eletrônico do caça-bombardeiro britânico Tornado, abatido neste domingo por um míssil de defesa aérea americano Patriot, provavelmente não emitiu o sinal correto que o teria preservado. Pior: o grupo Raytheon, fabricante do sistema admite que atuando em ambiente densamente magnetizado ou congestionado, as baterias da primeira geração do Patriot tem seu pior desempenho. Os fornecedores não admitem a possibilidade de falha. Mas o general Daniel Christia, veterano da 1a. Guerra do Golfo, entrevistado neste domingo pela rede de televisão CNN, lembrou que 40% dos mísseis lançados em 1991 "apresentaram defeitos comprometedores". Desde o conflito do Golfo destinado a libertar o Kuwait, invadido pelo Iraque, os mísseis Patriot foram amplamente aperfeiçoados. "A possibilidade dele não atingir um alvo localizado no raio ideal de 20 quilômetros de distância e até 15 mil metros de altura é impossível" disse à AE o engenheiro Mike Graham, ex-integrante do time de desenvolvimento do projeto. O "palpite especulativo" do engenheiro para a causa do incidente de ontem com o Tornado aponta na direção de um erro de ajuste: "o caça voava em atitude de combate e pode não ter sintonizado corretamente a freqüência de ´amigo´, o que ativou o lançamento". Outra possibilidade é a de que técnicos estrangeiros, russos ou norte-coreanos, estejam secretamente assessorando especialistas iraquianos.O trabalho dos consultores seria ativar um sistema de interferência na geração de coordenadas de GPS para guiagem de mísseis e bombas inteligentes. O Tornado voa a 2,2 vezes a velocidade do som (cerca de 2,3 mil kmhora). Armado com até 9,3 toneladas de bombas inteligentes e mísseis leves de cruzeiro, atinge objetivos em um raio de 1,4 mil quilômetros. É dedicado a missões que exigem penetração em território hostil a alta velocidade e baixa altura. O gerenciamento de forças de diversos tipos, operando com códigos próprios e atuando simultâneaneamente no ar e em terra é o momento de maior vulnerabilidade. Um bombardeio de precisão eventualmente pode começar em pontos distantes como os 15 mil quilômetros que separam o espaço aéreo iraquiano das bases do bombardeiro invisível B-2 Spirit, no interior dos EUA. Ou implica coordenar times de forças especializadas de dois exércitos nacionais treinadas para desempenhar as mesmas funções - embora com diferentes padrões operacionais e de logística. Oficiais brasileiros dos núcleos de mobilização rápida das Forças Armadas creditam a essa dificuldade os desacertos havidos nos primeiros quatro dias da campanha da coalizão americano-britânica. Para esses oficiais o choque entre dois helicópteros ingleses Sea King, na sexta-feira, matando os sete tripulantes entre os quais um americano, é resultado das condições críticas de cada missão. Os Sea King estariam voando a baixa altura e bem próximo um do outro de forma a oferecer um único sinal a um fortuito operador de radar da defesa iraquiana. A tempestade de areia tomava uma larga faixa da região nordeste, a baixa visibilidade ou uma manobra mal executada teriam determinado o acidente. Na véspera, outro helicóptero, um enorme CH46E ocupado por um Grupo de Fogo do Special Air Service (SAS) dos Estados Unidos reforçado por três homens do Comando SEAL de forças especiais caiu na linha da fronteira entre o Iraque e o Kuwait.As autoridades de Bagdá comunicaram que o time havia sido abatido por uma bateria antiaérea. O ministro da Defesa inglês, Geoff Moon disse que, pouco antes da queda, o piloto comunicou pane total nos motores do helicóptero. A ocorrência mais grave registrada até hoje é a do ato criminoso de um soldado de elite da temível 101a. Divisão Aerotransportada dos EUA. O militar atirou várias granadas de fragmentação dentro de três barracas do acampamento da unidade. Um homem morreu e 15 outros ficaram feridos. O soldado declarou que estava "entediado com a longa espera" e "muito decepcionado" por conta de uma punição recebida por indisciplina. Os homens da 101a. formam a vanguarda da linha de ataque e são apontados pelo Pentágono como modelo de condição disciplinar. A inesperada resistência no avanço das tropas da coalizão pelo sul do Iraque talvez seja decorrente de um equívoco na análise das informações de inteligência militar. Essa fase da ofensiva deveria ocorrer no eixo das cidades de Umm Qsar-Nasiryia-Basra-Faw porque a área seria guarnecida por tropas de segunda linha. Não foi isso que os americanos encontraram. Inesperadas duas companhias da infantaria blindada da Guarda Republicana - cerca de 400 combatentes bem treinados e equipados - obrigaram os americanos a sair dos pontos ocupados há dois dias, e a manter intenso combate. Veja o especial :

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