Fogo atinge 2ª refinaria venezuelana em 25 dias

Incidente em instalação em Puerto Cabello, no norte do país, não deixou feridos; as autoridades suspeitam que um raio tenha provocado incêndio

CARACAS, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2012 | 03h04

Bombeiros venezuelanos controlaram ontem o segundo incêndio em uma refinaria de petróleo em 25 dias. A instalação atingida foi a de El Palito, em Puerto Cabello, no Estado de Carabobo. Ninguém se feriu. Segundo o governo do presidente Hugo Chávez, a principal suspeita é a de que um raio tenha provocado o fogo, iniciado na noite de quarta-feira. Uma investigação deve ser lançada sobre a explosão.

"Acreditamos que um raio tenha atingido um dos quatro tanques de combustível e desencadeado o incêndio", disse ontem o ministro do Petróleo, Rafael Ramirez, à TV estatal. Apesar disso, garantiu o ministro, nenhuma hipótese será descartada pelo comitê que investigará o incidente. "Todos os tanques têm para-raio e há manutenção constante", declarou. "A chuva foi intensa. Temos renovado os sistemas para garantir a segurança."

Ainda de acordo com o ministro, a refinaria continua operando, apesar do incêndio. "Estamos em contato permanente com os gerentes de operação para que o acidente continue sendo monitorado", acrescentou Ramírez. A refinaria tem capacidade de processar 146 mil barris de petróleo por dia e é responsável por produzir combustível para o consumo doméstico. O vice-presidente da Petróleos de Venezuela (PDVSA), Asdrúbal Chávez, garantiu que não haverá falta de gasolina. Na refinaria de Amuay, em agosto, um incêndio provocou a morte de 42 pessoas.

Segundo o prefeito de Puerto Cabello, Rafael Lacava, a situação na cidade era de tranquilidade ontem. À TV estatal, o prefeito disse que a tempestade que teria provocado o incêndio foi a pior dos últimos 30 anos. "O litoral de Carabobo foi atingido por uma tempestade elétrica que não se via há 30 anos", disse. A Guarda Nacional Bolivariana (GNB) e funcionários da PDVSA combateram o incêndio.

Falhas. De acordo com o jornal venezuelano El Universal, o sistema de refinarias da Venezuela tem registrado falhas que afetam sua capacidade de processamento de petróleo. O setor enfrenta problemas para fazer a manutenção das instalações.

Um levantamento feito com a prestação de contas da PDVSA indica que em 2011 estavam previstas 31 pausas para manutenção nas refinarias venezuelanas, mas apenas 6 foram executadas. O número equivale a 19,3% da meta.

Na refinaria de Amuay, estavam previstas nove manutenções, mas foram feitas apenas duas. A refinaria de Cardón precisaria passar por 13 procedimentos, mas fez apenas 1. A Venezuela é o principal produtor de petróleo da América do Sul. / AP e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.