Fogo cruzado dita rotina em Alepo

Bombas e pressão de rivais afligem moradores

Tom A. Peter, Christian Science Monitor - O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2013 | 02h11

ALEPO - Nas áreas da Síria em poder da oposição, grupos de ajuda enfrentam constantes obstáculos: um grupo que trabalha em Alepo, no norte, por exemplo, recentemente ficou 24 horas preparando uma remessa de roupas para flagelados. A artilharia do governo acertou em cheio os donativos e os destruiu.

Combatentes rebeldes muitas vezes sequestram caminhões de ajuda e levam parte ou a totalidade dos suprimentos. As forças do governo, por sua vez, frequentemente fecham as estradas, isolando cidades.

Cerca da metade dos grupos de ajuda humanitária em Alepo parou de operar em virtude da insegurança, da escassez de voluntários e da falta de recursos.

Os que não fugiram, lutam para abastecer suas famílias. Com a guerra civil indefinida, quem vive na região tem uma rotina desconfortável, pontuada pelos ataques das forças do governo, mas tenta seguir adiante.

Embora a violência e os combates am Alepo tenham diminuído em comparação com o ano passado, a artilharia, os ataques aéreos e os confrontos tornaram-se uma parte da vida diária. "A Síria vive num profundo caos. O povo, os edifícios e a educação estão destruídos. Essa destruição exigirá dezenas de anos para tornar a reconstrução possível. Somente os pobres permaneceram na Síria, os ricos fugiram", diz Abu Mohamed, que trabalha em uma repartição do governo em Alepo e pediu para usar um pseudônimo, uma regra entre os moradores da cidade.

O governo de Bashar Assad controla menos da metade da Alepo. Os civis podem passar de um lado ao outro da cidade por postos de controle designados, mas a operação é perigosa. Os que cruzam, muitas vezes precisam pagar propinas aos soldados de ambas as partes e correm o risco de ser apanhados por tiroteios.

Apesar do perigo, Mohamed continua fazendo regularmente a travessia. Ele diz que precisa do salário que recebe do governo para sobreviver e acrescenta que os funcionários públicos que deixam de aparecer no escritório são presos por comportamento suspeito. Como é muito improvável que a situação mude no futuro próximo, muitos tentam se adaptar.

Um operário na construção afirma que, antes da insurreição, conseguia sustentar toda sua família. Embora não fosse rico, tinha um estilo de vida confortável, comprava carne a cada dois dias. Agora, tem sorte quando consegue uma vez por mês. Seu sobrinho foi morto pelas forças do governo, a casa do seu irmão foi roubada e ele teve de pedir emprestado US$ 1.500 nos últimos dez meses.

Viver numa área controlada pela oposição não é mais uma garantia de maior segurança contra os abusos cometidos pelos soldados. Ele afirma que não pode confiar em todas as forças do Exército Sírio Livre. "Os bons soldados do ESL estão no front e os maus, estão no meio do povo, nos bairros equipados com suas armas. Os maus sequestram, roubam."

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