AP Photo/Michael Varaklas
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Fogo diminui na ilha grega de Eubeia, mas preocupa no Peloponeso

Três pessoas morreram nestes incêndios que já devastaram mais de 90 mil hectares, segundo o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais, e que obrigaram milhares de habitantes de várias regiões a abandonarem suas casas

Yannick Pasquet e Alexandros Kottis/ AFP, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2021 | 11h00

Cerca de 900 bombeiros gregos e estrangeiros "assumem lentamente o controle" do incêndio na ilha grega de Eubeia, que está em chamas há nove dias, e redobram os esforços para enfrentar um foco preocupante na península do Peloponeso.

"Acho que podemos dizer" que estamos "assumindo lentamente o controle da frente dos incêndios" em Eubeia, declarou nesta quarta-feira, 11, o prefeito de Istiea, Yiannis Kontzias, cidade de 7 mil habitantes no norte da ilha, à televisão ERT.

"Ontem vimos a luz do sol pela primeira vez em dias", acrescentou ele, referindo-se às enormes nuvens de fumaça que cobrem esta ilha montanhosa e arborizada, localizada a 200 km de Atenas.

Em contrapartida, a situação é mais preocupante em uma parte da península do Peloponeso, rica em densas florestas e ravinas profundas, o que preocupa bombeiros e autoridades.

Segundo Christos Lambropoulos, vice-governador da região de Arcádia, no Peloponeso, as equipes de resgate estão concentrando os esforços para evitar que o fogo atinja o Monte Ménalo, coroado por uma densa floresta.

Povoados evacuados 

Em Gortynia, vários vilarejos foram evacuados diante do avanço das chamas. Na região como um todo, cerca de 580 bombeiros, incluindo 100 franceses e 50 alemães, lutam dia e noite, equipados com 181 veículos.

Dada a magnitude da catástrofe, iniciada em 27 de julho, muitos países, principalmente da União Europeia, enviaram mais de 1.200 reforços, veículos e materiais para a Grécia.

Três pessoas morreram nestes incêndios que já devastaram mais de 90 mil hectares, segundo o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS), e que obrigaram milhares de habitantes de várias regiões a abandonarem suas casas.

Em apenas oito dias, foram registrados 586 incêndios florestais na Grécia, causados pela pior onda de calor em três décadas em um país mediterrâneo já acostumado com as altas temperaturas do verão, segundo o vice-ministro da Proteção Civil, Nikos Hardalias.

"Quando chegamos (...) tivemos a impressão de que a Grécia inteira estava em chamas", disse Nicolas Faure, um bombeiro francês enviado como reforço.

O coronel Frédéric Gosse, também destacado, lamentou que um "maldito coquetel" tenha causado tantos incêndios: "temperaturas bem acima de 40ºC, vários meses sem chuvas e ventos violentos". 

Os especialistas vinculam, de forma inequívoca, a onda de calor às mudanças climáticas. Um relatório preliminar da ONU, ao qual a AFP teve acesso, descreve a região do Mediterrâneo como um "ponto quente para as mudanças climáticas". 

Diante dessa "catástrofe natural de proporções sem precedentes", o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, anunciou um auxílio de 500 milhões de euros (US$ 585 milhões).

Indignação 

Isso não evitou que a raiva se apoderasse das autoridades políticas locais e dos habitantes, que se sentem abandonados à própria sorte. 

Cada vez mais vozes exigem a renúncia dos funcionários de alto escalão responsáveis pelos serviços de resgate que, em junho, garantiram que o país estava preparado para enfrentar o flagelo dos incêndios.

Kyriakos Mitsotakis até pediu desculpas aos gregos pelos "possíveis erros" cometidos pelas autoridades, enquanto a população se mobilizava para angariar roupas e alimentos para as vítimas.

Além da destruição de centenas de casas e hectares de floresta, a economia da ilha de Eubeia também foi duramente atingida.

"Perdemos o mês de agosto, que teria dado segurança econômica às pessoas para o próximo ano. (...) O turismo local foi destruído, a maioria (dos visitantes) foi embora", lamentou o prefeito de Istiea, Yiannis Kontzias.

"Os danos são enormes, e o desastre ambiental terá repercussões econômicas por décadas", alertou.

Derrotados e impotentes, os habitantes constatam a magnitude dos danos.

"Senti a ameaça, corri para me salvar", contou Rita, de 65 anos, com o carro cheio de malas. 

Sua casa, na aldeia de Kastri, foi parcialmente incendiada. "Minha vida estava aqui. Não tenho mais lágrimas", desabafou a aposentada, após retornar para sua casa pela primeira vez para recolher alguns pertences pessoais.

Ao fundo, a fumaça continuava a emanar da terra arrasada. 

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