Foguete lançado do Líbano atinge Israel

Disparados do sul do território libanês, projéteis ferem 2 em asilo no norte israelense; Hezbollah nega envolvimento

Gustavo Chacra, Nahariyah, Israel, O Estadao de S.Paulo

09 de janeiro de 2009 | 00h00

Israel amanheceu ontem sob o temor de que uma nova frente militar pudesse ser aberta na fronteira com o Líbano. Quatro foguetes Katiusha foram lançados do território libanês, atingindo o norte de Israel. O Exército israelense respondeu com bombardeios. Ninguém morreu nos ataques, mas um dos foguetes atingiu um asilo em Nahariyah, onde moram 26 idosos, deixando 2 feridos.Um grupo palestino foi responsabilizado pelos disparos, que ontem desviaram parte das atenções dos israelenses da ofensiva militar contra o Hamas na Faixa de Gaza - que desde o dia 27 já deixou 13 israelenses e 763 palestinos mortos, segundo fontes médicas de Gaza. O líder do grupo xiita, xeque Hassan Nasrallah, havia ameaçado atacar os israelenses. Israel considera o Hezbollah um inimigo muito mais poderoso que o Hamas. A organização libanesa conta com o apoio do Irã e é aliada da Síria. Analistas militares afirmam que o Hezbollah tem capacidade para atingir Tel-Aviv com seus foguetes. Os israelenses enfrentaram em 2006 o grupo libanês em um conflito que deixou centenas de mortos.RECONSTRUÇÃOEm Beirute, também houve o temor inicial de que o Hezbollah estivesse por trás do lançamento dos foguetes. O Líbano ainda se reconstrói da guerra entre o Hezbollah e Israel e um novo conflito poderia arruinar mais uma vez o país. O governo libanês procurou se distanciar do episódio, afirmando que o ataque contra Israel violava a resolução do Conselho de Segurança da ONU que colocou um fim ao conflito em 2006. O premiê libanês, Fuad Siniora, disse em comunicado que seu governo trabalhará em cooperação com a Unifil (Forças de Paz da ONU) no sul do Líbano para impedir novos ataques.O Hezbollah faz parte do governo de união nacional do Líbano, apesar de se opor ao premiê e seus aliados. Isso dá ao grupo e a sua coalizão poder de veto sobre decisões de Siniora. Além disso, o acordo do Hezbollah com o governo libanês - controlado por sunitas - busca dar estabilidade ao Líbano. Em reunião de emergência do gabinete libanês, o ministro do Trabalho, Mohammed Fneish, que é membro do Hezbollah, disse a jornalistas que o grupo não estava envolvido nos disparos. "Todos sabem que o Hezbollah sempre assume a responsabilidade por seus atos", disse. A rede de TV Al-Manar, que pertence ao grupo, também negou que a organização xiita seja responsável pelos ataques contra Israel. Nenhum grupo assumiu a autoria dos disparos. Mas, na capital libanesa, suspeita-se de que a Frente Popular para a Libertação da Palestina-Comando Geral (FPLP-CG), possa ser a responsável, já que o líder da organização, Ahmed Jibril que vive em Damasco, havia recentemente ameaçado atacar Israel.Não está descartada a hipótese de que o Hezbollah tenha autorizado algum grupo a lançar os foguetes. A organização, por fazer parte do governo e ter interesses nas eleições de junho, não está em condições de iniciar uma guerra contra Israel. Mas se os israelenses respondessem com dureza aos foguetes, o Hezbollah poderia revidar, abrindo uma temida nova frente de batalha. Segundo ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, os israelenses estão preparados para combater em duas frentes. OS SUSPEITOS Hezbollah: Grupo militar e político poderoso no Líbano, está na lista de "organizações terroristas" dos EUA. Conta com o apoio de Irã e Síria e tem milhares de militantes bem treinados. Em 2006, entrou em guerra com Israel Frente Popular para a Libertação da Palestina: Organização secular com braço político e paramilitar formada por refugiados palestinos. Grupo é aliado do Hezbollah, tem apoio da Síria e é considerado uma organização terrorista pelos EUA Militantes islâmicos: Os campos de refugiados palestinos no Líbano, que contam com 400 mil pessoas, abrigam militantes de diversos grupos sunitas inspirados na Al-Qaeda, como o Jund al-Sham e o Usbat al-Ansar

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