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Foguetes atingem a Zona Verde de Bagdá, dizem autoridades iraquianas 

Autoridades disseram que os foguetes atingiram região fortificada onde ficam a sede do governo do Iraque e de embaixadas estrangeiras, incluindo a americana; três projéteis caíram em bairros de Bagdá, matando uma criança

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2020 | 17h21
Atualizado 17 de novembro de 2020 | 21h44

BAGDÁ - Autoridades e oficiais de segurança iraquianos disseram que sete foguetes Katyusha atingiram nesta terça-feira, 17, a fortificada Zona Verde de Bagdá e tinham como alvo a Embaixada dos Estados Unidos. O ataque sinaliza o fim de uma trégua informal anunciada em outubro por milícias apoiadas pelo Irã. No local, ficam a sede do governo do Iraque e de embaixadas estrangeiras. Quatro projéteis caíram na Zona Verde, enquanto outros três impactaram bairros de Bagdá, matando uma menina e ferido outros cinco civis, informou o Exército.

Um comunicado militar confirmou que quatro foguetes Katyusha caíram dentro da Zona Verde e foram disparados de um distrito a oeste da capital, mas não forneceu mais detalhes. Duas fontes diplomáticas na Zona Verde disseram ter ouvido um sistema antifoguete ter sido acionado para defender a Embaixada dos EUA. Uma das fontes disse que as explosões sacudiram os edifícios. 

Fontes da polícia local e de hospitais disseram que dois civis iraquianos foram feridos no ataque.

Segundo a agência France Presse, os foguetes atingiram a Embaixada dos EUA. Jornalistas da agência disseram ter ouvido várias explosões, seguidas do som de outras detonações e de clarões avermelhados no céu, o que indicaria que o sistema de defesa americano C-RAM foi rapidamente ativado na sede diplomática. O Pentágono ainda não se pronunciou.  

Os ataques ocorrem no mesmo dia em que o Pentágono anunciou que vai retirar 500 dos 3 mil soldados americanos que ainda estão no país e 2 mil do Afeganistão até 15 de janeiro. Eles ocorreram duas horas depois de o primeiro-ministro, Mustafá al-Kazimi, se reunir por teleconferência com o secretário de Estado americano, Mike Pompeo.

Frequentes ataques contra a embaixada no ano passado levaram Washington a ameaçar fechar sua missão em Bagdá e gerou uma crise diplomática antes das eleições nos EUA.

Vários grupos da milícia iraquiana apoiados pelo Irã anunciaram em outubro que suspenderam os ataques com foguetes contra as forças dos EUA, com a condição de que o governo do Iraque apresentasse um cronograma para a retirada das tropas americanas. 

Um porta-voz do Kataib Hezbollah, um dos mais poderosos grupos de milícia apoiados pelo Irã no Iraque, disse que os grupos não apresentaram um prazo específico, mas que se as tropas americanas "insistissem em ficar", desencadeariam ataques muito mais violentos.

Em janeiro, 48 horas depois da morte do general iraniano Qassim Suleimani e seu braço-direito iraquiano, Abu Mehdi al Muhandis, em um ataque americano, os deputados xiitas iraquianos votaram pela expulsão dos 5,2 mil soldados americanos presentes então em seu território.

O gabinete de Mustafá al-Kazimi, nomeado em maio, defende dar "três anos" aos Estados Unidos para deixar o país, ao qual voltaram em 2014 para combater o grupo terrorista Estado Islâmico.

Ainda hoje mais cedo, o regime iraniano afirmou que qualquer ataque por parte dos Estados Unidos ao país teria "uma resposta esmagadora". A declaração foi feita um dia após uma reportagem do New York Times revelar que Donald Trump pediu a conselheiros opções para uma ofensiva contra a principal instalação nuclear iraniana. O presidente americano, no entanto, foi dissuadido a não adotar nenhuma atitude./AP, Reuters e AFP 

 

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