Foguetes atingem Israel em novo ataque lançado do Líbano

Ao menos 3 projéteis atingem o norte e Israel retalia com mísseis; outros 3 estavam preparados para lançamento

Agências internacionais,

14 de janeiro de 2009 | 06h10

Três foguetes disparados do Líbano atingiram o norte de Israel no início desta quarta-feira, 14, no segundo ataque desse tipo em menos de uma semana. O porta-voz da polícia israelense, Micky Rosenfeld, disse que os foguetes caíram próximo à cidade de Kiryat Shmona, na fronteira entre os dois países. Não havia registro de danos ou de feridos. O grupo responsável pelo ataque tinha ainda outros três projéteis prontos, informaram fontes militares libanesas.   Veja também: Bin Laden pede guerra santa contra Israel em Gaza  Secretário da ONU vai ao Egito negociar trégua   Correspondente do "Estado" fala da 3ª semana do conflito Aumenta suspeita do uso de armas ilegais no conflito em Gaza Conflito em Gaza vira guerrilha urbana  Secretário-geral da ONU apela por trégua Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques      O disparo ocorreu no 19º dia da ofensiva israelense na Faixa de Gaza e menos de uma semana depois de um ataque semelhante. Em 8 de janeiro, três foguetes disparados do Líbano atingiram o norte de Israel, ferindo levemente dois israelenses. A milícia xiita Hezbollah negou qualquer envolvimento no ataque, que espalhou pânico em ambos os lados da fronteira e trouxe de volta o fantasma da guerra de 2006 entre Israel e Líbano, deflagrada em meio à ultima grande ofensiva israelense em Gaza.   No Líbano, um funcionário das forças de segurança disse que os projéteis foguetes foram lançados em direção a Israel a partir de Habaniyeh, na região fronteiriça ao sul de Israel, e que o Exército havia respondido. Os outros caíram em solo libanês, sem causar vítimas, segundo fontes policiais do sul do Líbano. No entanto, fontes militares libanesas disseram que, a partir do mesmo lugar onde foram lançados os foguetes, havia outros três projéteis preparados para ser disparados, e também contavam com armadilhas com explosivos. Em retaliação, o Exército israelense disparou quatro mísseis que atingiram El Hebbariyeh. Emissoras de televisão libanesas disseram que dois helicópteros israelenses sobrevoaram a região de onde foram disparados os foguetes.   As escolas libanesas estavam fechadas e muitos moradores demonstravam bastante temor com a possibilidade de um confronto. "Israel considera uma responsabilidade do Exército libanês e do governo evitar o lançamento de foguetes do território libanês", disse um porta-voz do Exército israelense. O ministro da Defesa do Líbano, Elias Murr, afirmou após uma reunião do gabinete na terça-feira que o país "não será uma base para lançamento de mísseis". "O Líbano não será um teatro para a guerra e essa é uma decisão do governo, do Exército, da resistência e do povo libanês."   O governo libanês, no qual o Hezbollah está presente, várias vezes se disse comprometido com o cessar-fogo mediado pela ONU, que encerrou a guerra entre Israel e o Hezbollah em 2006 e que não quer se envolver no conflito em Gaza. Porém existe o temor de que grupos extremistas que operam no Líbano possam aproveitar a situação de instabilidade para lançar ataques contra Israel. Analistas pontuam ainda que o incidente da semana passada deve ter ocorrido com o apoio tácito da milícia xiita. "Nada acontece no sul (libanês) sem o conhecimento do Hezbollah", afirmou Osama Safa, chefe do Centro Libanês para Estudos de Política.   Na semana passada, o chefe do Hezbollah, Hassan Nasrallah, advertiu de que "todas as possibilidades" estão sobre a mesa para lidar com Israel. Antes do ataque do dia 8, os últimos foguetes lançados do Líbano no norte de Israel haviam sido disparados em 17 de junho de 2007, sem causar vítimas. Israel e o Hezbollah travaram uma guerra de 34 dias em 2006, após membros do grupo xiita sequestrarem dois soldados israelenses. A guerra deixou mais de 1.200 libaneses mortos, a maioria civis, e 160 israelenses mortos, a maioria soldados. Durante o conflito, o Hezbollah lançou mais de 4 mil foguetes no norte israelense.        Confrontos em Gaza   A Força Aérea israelense atacou um cemitério, plataformas de lançamento de foguetes, arsenais de armas e dezenas de túneis usados para o tráfico de armamentos na Faixa de Gaza, segundo afirmaram testemunhas e o Exército nesta quarta-feira. Os combates aconteceram no mesmo dia em que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, chegou ao Egito para iniciar os esforços diplomáticos para encerrar o conflito, que já matou mais de mil palestinos, mais da metade deles civis. Treze israelenses morreram nos confrontos, quatro deles atingidos por foguetes do Hamas.   O Exército israelense atacou outros 60 alvos em Gaza, enquanto continua estreitando o cerco à capital da Faixa. Dos últimos ataques registrados na última noite, participaram forças de infantaria, engenheiros de combate e artilharia, assim como membros da inteligência militar apoiados pelas forças aérea e naval, segundo o boletim oficial divulgado pelo Exército israelense. Entre os alvos da ofensiva se encontram vários comandos militares, a delegacia central da Cidade de Gaza e cinco áreas de onde facções armadas palestinas disparam bombas contra território israelense. Segundo Israel, também figuram entre os alvos nove instalações nas quais se fabricam e armazenam armas, entre elas uma localizada na casa de um membro do Hamas. Os bombardeios aéreos destruíram 35 túneis no sul da Faixa de Gaza.   Na última rodada de operações militares, a Marinha apoiou as forças terrestres que se encontram praticamente na entrada da Cidade de Gaza e bombardearam vários alvos do Hamas. As forças terrestres israelenses continuam avançando, sobretudo, do norte da Faixa de Gaza em direção a sua capital, situada praticamente no coração do território e onde a população é mais densa.   Oficiais militares afirmaram que as negociações no Cairo, chamadas de "decisivas", determinarão se Israel endurece a ofensiva ainda mais ou se aproxima de uma trégua. O governo planeja mandar seu negociador, Amos Gilad, ao país nesta quarta. Ban deve se reunir com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, que lançou um plano de cessar-fogo em parceria com a França na semana passada. O secretário-geral então segue para Jordânia, Israel, Cisjordânia, Turquia, Líbano, Síria e Kuwait. Seu itinerário não inclui uma parada em Gaza.   Caças-bombardeiros F-16 da Força Aérea israelense destruíram com mísseis o principal cemitério da Cidade de Gaza, situado no bairro de Sheik Raduan, disseram moradores da área. "Os aviões de guerra israelenses não só atacam seres humanos, mas também destroem os túmulos dos mortos", disse um morador, junto ao cemitério. O morador disse que vários túmulos ficaram totalmente destruídos e que, após o bombardeio aéreo israelense, as pessoas foram ao cemitério para recolher ossos dos defuntos, que enterraram novamente nos lugares destruídos.   Na Cidade de Gaza, há três grandes cemitérios, um deles fica entre o leste e o norte da cidade e já foi tomado pelo Exército israelense na ofensiva terrestre iniciada como parte da operação militar, em 3 de janeiro. Os outros dois cemitérios ficam na Cidade de Gaza e estão e estão completamente lotados. Os moradores da Faixa de Gaza dizem que não há lugar suficiente para enterrar os mortos na ofensiva israelense, e que muitos deles foram sepultados em túmulos de outras pessoas que morreram anteriormente.   Matéria atualizada às 10h40.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.