Foguetes da Índia funcionam bem

O míssil Agni-3, da Índia, não tem o desenho elegante das armas intercontinentais dos Estados Unidos, nem a aparência maciça dos sinistros lançadores nucleares da Rússia, mas os foguetes de acabamento tosco construídos em Bangalore funcionam bem: se o vôo do teste desta sexta-feira fosse apontado no rumo do noroeste, poderia atingir alvos estratégicos no território do Paquistão ou em qualquer ponto da Ásia Central, porque seu alcance pode chegar a 2500 km. Islamabad, a capital paquistanesa poderia ser destruída, mas não antes que fosse disparado o fogo de retaliação, uma pesada salva de outros mísseis, os Hatf-3, lançados pelo arquiinimigo. Ambos podem ser armados com ogivas atômicas de médio porte construídas em centros próprios de pesquisas científico-militares. Isso tudo é apenas a primeira etapa do processo: em 2005, o Comando Aéroestratégico da Índia receberá os primeiros mísseis Surya, gigantes de 35 toneladas, 19 metros e 10 mil km de raio de ação. ?A maior preocupação do mundo? segundo a mensagem mensal do secretário geral Kofi Annan às delegações dos países membros da ONU, a crescente tensão entre duas potências regionais asiáticas com poder nuclear ganhou velocidade nos 13 meses compreeendidos entre julho de 2000 e agosto de 2001. Nesse período, os governos da Índia e do Paquistão deixaram claro que seus programas de desenvolvimento de vetores não tripulados de ataque aéreo não estavam restritos aos termos do MTCR, que limita o alcance de mísseis a 300 km com ogivas de 500 kg. A Índia concluiu os ensaios com o míssil tático Privthi (250 km) e apresentou a primeira configuração do Agni. A versão de dois estágios que voou nesta sexta sobre o mar é a terceira, com alcance na faixa máxima de 1500 km, e não apenas 700 km. Um quarto arranjo, utilizando um segundo estágio alongado, pode atingir objetivos a 2500 quilômetros de distância e entrou na fase de ensaios há seis meses.

Agencia Estado,

25 Janeiro 2002 | 18h57

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