Foguetes põem Jerusalém em alerta e 16 mil soldados de Israel cercam Gaza

Militantes palestinos na Faixa de Gaza lançaram ontem dois foguetes contra Jerusalém, no primeiro ataque do tipo contra a cidade desde 1970. Sirenes soaram e relatos não confirmados de outros bombardeios se espalharam, levando centenas de moradores a abrigos antiaéreos. Os projéteis caíram no assentamento judaico de Gush Ezion, na Cisjordânia, a 12 km da cidade. Não houve vítimas. Pelo terceiro dia, Israel bombardeou a Faixa de Gaza e matou oito palestinos.

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2012 | 02h01

De acordo com o porta-voz da polícia israelense Micky Rosenfeld, as sirenes de alerta contra ataques aéreos espalharam o pânico em parte de Jerusalém. Os foguetes eram do modelo M-75, de fabricação caseira. Além do inédito ataque - ainda que frustrado - a Jerusalém, milícias palestinas voltaram a lançar mísseis de fabricação iraniana contra Tel-Aviv, a maior cidade de Israel. Um deles caiu no mar, a 200 metros da embaixada americana. Houve também disparos de cerca de 50 foguetes contra cidades do sul de Israel, como Sderot e Ashdod, que ficam a poucos quilômetros de Gaza, sem vítimas.

A maioria dos artefatos adquiridos pelo Hamas do Irã e da Líbia carece de sistema de navegação. Membros do governo israelense acreditam que há uma pequena quantidade de mísseis guiados por radar. Ontem, o tom das ameaças subiu. "Estamos mandando uma mensagem curta e simples: nenhum sionista (como os militantes palestinos se referem aos israelenses) em nenhum canto da Palestina está a salvo e planejamos novas surpresas", disse o porta-voz da ala militar do Hamas, Abu Obeida.

Incursão terrestre. Em resposta, Israel aumentou a mobilização de soldados da reserva, em um indício de que uma incursão terrestre contra a Faixa de Gaza pode ocorrer. Ontem pela manhã, 16 mil soldados estavam dispostos em tanques na fronteira com o território palestino e outros 14 mil tinham sido convocados pelo Ministério da Defesa. No total, o governoa aprovou a mobilização de 75 mil reservistas. Estradas que ligam Israel a Gaza foram fechadas para civis.

Testemunhas viram tanques espalhados por toda a fronteira entre Israel e Gaza. Não estava claro até a noite de ontem se a demonstração era uma tática de intimidação para pressionar o Hamas ou um plano de invasão em curso. Os principais líderes do Hamas se esconderam depois da morte do líder da ala militar do grupo, as Brigadas de Ezzedine al-Qassan, Ahmed Jabari, na quarta-feira. O assassinato foi a resposta israelense a uma série de lançamentos de foguetes que desde o dia 10 atingiam o sul do país, sem deixar mortos.

Depois de uma reunião com o presidente Shimon Peres, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu divulgou um comunicado no qual deixou em aberto uma invasão.

"O Exército continua a atacar o Hamas com força e está pronto para expandir a operação em Gaza", diz o texto divulgado por seu gabinete. "A meta é destruir a infraestrutura terrorista"

Em Gaza, durante visita do premiê egípcio Hesham Kandil (mais informações na página 11), o primeiro-ministro do governo do Hamas no território, Ismail Haniyeh, reagiu com uma retórica dura. "O tempo em que a ocupação israelense fazia o que queria em Gaza acabou", declarou.

Desde o início do conflito, 27 palestinos, entre eles 14 civis, morreram. Um ataque do Hamas matou 3 civis israelenses. No total, 550 mísseis atingiram Israel desde quarta-feira. Gaza foi bombardeada 500 vezes.

Ao menos 270 palestinos ficaram feridos, segundo serviços médicos da Faixa de Gaza. De acordo com a Embaixada de Israel em Brasília, o Exército tem evitado alvos civis. / AP, AFP, NYT E WASHINGTON POST

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