Fome atinge mais de 14 milhões na África, diz ONU

Uma crise alimentícia em seis nações do sul da África se agravou de tal maneira que o fantasma da fome assombra mais de 14 milhões de pessoas, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). "A intensidade desta crise aumenta mais rapidamente do que se imaginava", disse James Morris, enviado especial da ONU à região, durante entrevista em Johannesburgo, África do Sul. "A devastação para as pessoas mais vulneráveis nesses seis países é esmagadora", acrescentou o funcionário da organização mundial, que acaba de completar uma visita pela região afetada.Mais de 14 milhões de pessoas em Lesoto, Malauí, Moçambique, Suazilândia, Zâmbia e Zimbábue estão afetadas pela crise, causada por devastadoras secas e inundações e, em alguns casos, pelo desgoverno.Em um primeiro cálculo, a ONU havia estimado que cerca de 12,8 milhões de pessoas enfrentavam a ameaça da fome na região antes do início da colheita deste ano, em abril. Mas a situação se agravou com a falta de alimentos em alguns países e a impossibilidade da população mais pobre de adquirir o pouco disponível, disseram as autoridades.O Programa Mundial de Alimentos da ONU recebeu compromissos sólidos de países doadores para cobrir um terço dos US$ 507 milhões em alimentos de emergência previstos para a região afetada, e promessas para quase outro terço.A ONU solicitou mais de US$ 100 milhões em ajuda extra, que seriam usados na agricultura e em cuidado com a saúde.Segundo Morris, a epidemia da aids está agravando ainda mais a crise. Os países afetados têm taxas de infecção de HIV, o vírus que causa a doença, que vão de 12% a 36% da população, e a falta de alimentos pioram os efeitos da enfermidade. aidsO secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, sugeriu hoje a declaração de "uma guerra sem quartel" contra a aids e pediu pela promoção da educação das meninas na África. Annan falou durante uma pausa nos debates regulares da ONU com o objetivo de resgatar a África de sua "prolongada agonia".Annan pôs em marcha o debate propondo "uma nova associação" para ajudar o continente africano a não cair em um abismo. "O combate ao HIV/aids e a promoção da educação das meninas neste sentido são vitais", disse Annan. "A epidemia do HIV/aids transformou-se na maior ameaça para o desenvolvimento da África". De acordo com números da ONU, cerca de 30 milhões de africanos estão infectados com o HIV.

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