Fome pode matar 30 mil crianças em Mianmar, alerta ONG

Save the Children afirma que menores com até 5 anos podem morrer sem receber ajuda e alimentos

Agência Estado e Associated Press,

18 de maio de 2008 | 14h11

Milhares de crianças em Mianmar (antiga Birmânia) poderão morrer de fome em duas ou três semanas, informou uma Organização Não Governamental (ONG) internacional neste domingo, 18. A ONG Save the Children, com sede no Reino Unido, disse que um levantamento mostrou que cerca de 30 mil crianças com menos de cinco anos de idade, na devastada região do delta do rio Irrawaddy, já sofriam de má nutrição antes da passagem do ciclone Nargis pela área - e essas crianças agora correm um grande risco de morrer por falta de alimentos.   Veja também:  Situação melhora em Mianmar, diz enviado britânico   "Com centenas de milhares de pessoas ainda sem receber ajuda e alimentos, muitas dessas crianças não sobreviverão por muito tempo," disse a Save the Children em comunicado. "Crianças já podem estar morrendo por falta de comida."   A ONG de ação humanitária Ação Contra a Fome descreve a situação na região de Bogale, onde trabalha, como "extremamente alarmante," ao dizer que a prioridade de cada sobrevivente que foi encontrado era procurar comida suficiente para comer. "Durante o dia inteiro, as pessoas procuram comida, ou passam o dia tentando cozinhar o alimento que encontraram," o grupo disse em comunicado. "Por mais de 15 dias, os sobreviventes se alimentaram apenas com frutas silvestres e arroz molhado, que elas tentam secar antes de colocar numa panela."   O grupo informou que o preço do arroz quadruplicou, desde que o ciclone Nargis atingiu o país em 2 e 3 de maio. Algumas pessoas já estão morrendo de fome, alerta a ONG. Mais de duas semanas após o ciclone ter devastado Mianmar, as agências continuam a reclamar das restrições do governo da junta militar, que proíbe o acesso dos trabalhadores humanitários às áreas mais atingidas.   Chuvas pesadas que caíram na região do delta do rio Irrawaddy também prejudicaram os trabalhos de assistência, e agências humanitárias dizem que dois milhões de pessoas estão sofrendo com a falta de água potável e condições sanitárias. As Nações Unidas já alertaram que a falta de uma assistência adequada poderá aumentar o número de mortos no desastre.   O Departamento de Desenvolvimento Internacional do governo britânico informou que têm relatórios precisos sobre "danos extensivos" contra a agricultura no delta do Irrawaddy, alertando que a estação de plantio irá durar apenas mais cinco a sete semana. O delta do Irrawaddy é a principal área de plantio de arroz de Mianmar.   A televisão estatal de Mianmar informou que o número oficial de mortos pela passagem do Nargis é de 78 mil pessoas. Outras 56 mil pessoas estão desaparecidas. Todos os grupos de ajuda humanitária e as Nações Unidas dizem que o número oficial é muito baixo. As estimativas do número de mortos no desastre, feitas pelas agências, vão de 100 mil a 217 mil pessoas.   A televisão estatal de Mianmar também exibiu neste domingo imagens dos líderes da junta militar, que governa o país desde 1962, visitando campos de refugiados perto de Rangum, a maior cidade de Mianmar. Foi o primeiro encontro do líder da junta, o general Than Shwe, com refugiados, desde a passagem do ciclone há mais de duas semanas.   As imagens mostram Than Shwe inspecionando os suprimentos e confortando as vítimas, em campos nos subúrbios de Dagon e Hlaing Thar Yar. A visita ocorre em meio a crescentes acusações de que a junta tem sido indiferente ao desastre natural que devastou o país e não tinha visitado as regiões mais atingidas pelo ciclone.

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