Fonte do governo americano chama Bibi de 'covarde'

Declaração, da qual a Casa Branca tentou distanciar-se, é mais um episódio na troca de acusações entre líder israelense e Washington

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2014 | 02h03

A Casa Branca afirmou ontem que o presidente Barack Obama e o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, têm uma "aliança eficaz", em uma tentativa de distanciar a presidência americana das declarações de uma fonte anônima de Washington que qualificou o líder israelense como "covarde".

"Isso certamente não reflete a posição da administração", disse o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Alistair Baskey, considerando as citações sobre Netanyahu "inoportunas e contraproducentes".

Um artigo publicado na terça-feira pela revista The Atlantic sobre a relação entre os dois líderes - que tem sido difícil - cita uma fonte do governo americano, em condição de anonimato, chamando Netanyahu de "covarde" e criticando sua política de colonização na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

O incidente ocorre num mês de duras trocas de acusações entre Netanyahu e Washington sobre a construção em assentamentos israelenses em Jerusalém Oriental, que os palestinos reivindicam como a capital de seu futuro Estado na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

"A coisa sobre Bibi (Netanyahu) é que ele é um covarde. O lado bom é que ele tem medo de começar guerras", disse o funcionário à revista. "O lado ruim é que ele não vai fazer nada para alcançar um acordo com os palestinos ou com os países árabes sunitas."

Na terça-feira, os EUA criticaram a decisão de Israel, anunciada naquele dia, de construir mais de mil casas em Jerusalém Oriental, alegando que esse tipo de medida é "incompatível" com os esforços de paz empreendidos na região.

Irritado com as declarações, Netanyahu descartou a hipótese ontem de fazer qualquer concessão. "Não estou disposto a fazer nenhuma concessão que ponha em perigo o nosso Estado", afirmou Bibi, em um discurso no Parlamento.

Líderes israelenses, geralmente, não respondem a comentários feitos por fontes não identificadas. Mas Netanyahu usou seu discurso, em um evento aberto, para rebater as críticas, consideradas por analistas na imprensa israelense "sem precedentes".

"Atacam-me porque defendo o Estado de Israel", declarou o premiê. "É preciso entender que nossos interesses supremos são, em primeiro lugar, a segurança e a unidade de Jerusalém, o que não se supõe ser a preocupação dos que me atacam de forma anônima." O ministro da Economia, Naftali Bennett, saiu em defesa de Netanyahu e disse que os ataques a ele eram também "contra todo o povo judeu".

Atentado. Um ativista de extrema direita israelense foi baleado ontem em Jerusalém. A polícia confirmou que Yehuda Glick, nascido nos EUA, foi alvo de um atirador que estava em uma moto. O ativista preparava-se para participar de uma campanha pela permissão de orações judaicas do lado onde fica a Mesquita de Al-Aqsa no complexo sagrado para judeus e muçulmanos na Cidade Velha. / REUTERS e AFP

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