Patrick Semansky/Arquivo/AP
Patrick Semansky/Arquivo/AP

Fonte do WikiLeaks, militar americano é condenado a 35 anos de prisão

Manning revelou segredos sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão, além de telegramas diplomáticos

O Estado de S. Paulo,

21 Agosto 2013 | 11h30

(Atualizada às 12h35) O soldado americano Bradley Manning foi sentenciado nesta quarta-feira, 21, a 35 anos de prisão por vazar para o site WikiLeaks informações confidenciais sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão, além de milhares de documentos diplomáticos do Departamento de Estado - no maior vazamento desse tipo da história dos EUA. A pena máxima para as acusações contra ele era de 90 anos.

No mês passado, a juíza coronel Denise Lind condenou Manning, de 25 anos, por 20 crimes, dentre eles seis violações da Lei de Espionagem, cinco crimes de roubo e fraude cibernética. A promotoria não conseguiu provar o crime de ajuda ao inimigo, crime que poderia ser punido com prisão perpétua.

Durante a breve audiência, Lind não forneceu qualquer explicação para a sentença. Manning levantou-se e não demonstrou reação.

Os promotores haviam pedido pelo menos 60 anos de prisão, afirmando que a sentença iria dissuadir outros soldados de seguir os passos de Manning. A defesa havida sugerido não mais do que 25 anos - tempo em que os documentos se tornariam públicos - pois assim ele poderia reconstruir sua vida.

O soldado, que é considerado herói por alguns e traidor por outros, terá descontada da pena os mais de três anos que ficou detido, mas terá de cumprir pelo menos um terço da sentença antes de pedir liberdade condicional.

Manning vazou mais de 700 mil relatórios de campo de batalha das guerras no Iraque e no Afeganistão e telegramas diplomáticos do Departamento de Estado em 2010, quando trabalhava como analista de inteligência no Iraque. Ele pediu desculpas e disse que queria provocar um debate sobre as ações militares e diplomáticas de seu país. "Eu acreditava que iria ajudar as pessoas, não machucá-las", declarou, na semana passada.

A promotoria afirmou que o vazamento colocou em perigo as vidas de fontes da inteligência americana e fez com que vários embaixadores fossem convocados, transferidos ou expulsos.

A Anistia Internacional e a Rede de Apoio a Bradley Manning anunciaram uma petição online que pede ao presidente Barack Obama que perdoe Manning./ AP

 

 
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