Fonterra exportou produtos que podem causar botulismo

O Ministério das Indústrias Primárias da Nova Zelândia informou neste sábado que mercados estrangeiros receberam da Fonterra Co-operative lotes de produtos contaminados, que podem causar botulismo, forma de intoxicação alimentar grave e até mesmo fatal.

GABRIELA VIEIRA, Agência Estado

03 de agosto de 2013 | 13h21

No início do dia, a Fonterra, maior exportadora de laticínios do mundo, disse que tinha alertado oito clientes sobre a "questão da qualidade", envolvendo três lotes de concentrado proteico de soro produzido em uma fábrica da Nova Zelândia, em maio 2012. No total, 38 toneladas de ingrediente primário foram envolvidos. A Fonterra se recusou a nomear os clientes ou os países envolvidos.

A companhia disse que o problema foi identificado em março e que testes intensivos foram realizados para isolar as bactérias específicas. Na última quarta-feira, os testes indicaram a presença potencial de Clostridium botulinum, que pode causar o botulismo. O Ministério foi informado da questão ontem. O diretor geral da pasta, Scott Gallacher, disse que o ingrediente foi misturado em cerca de 900 toneladas de produtos.

"Um certo número de mercados no exterior recebeu o produto que continha o concentrado proteico de soro de leite contaminado", afirmou Gallacher. "Nesta fase, com base nas informações que temos no momento, esses mercados incluem a Austrália, China, Malásia, Tailândia, Arábia Saudita e Vietnã." Neste sábado, o órgão de controle de qualidade da China pediu para importadores do país recolherem os produtos lácteos fornecidos pela exportadora neozelandesa.

Gallacher também informou que um dos produtos potencialmente afetados pela contaminação é o Nutricia Karicare, fórmula para crianças de seis meses de idade. A Nutricia é uma unidade de grupo Danone. Funcionários da Nutricia não comentaram o assunto, mas Gallacher disse que a empresa informou ao ministério que cinco lotes do produto foram fabricados com a proteína de soro de leite contaminado. Destes, três estão em um armazém em Auckland, um está em um navio e outro também está armazenado, na Austrália. Todos os lotes foram trancados.

Enquanto a Fonterra disse que não há relatos de qualquer doença relacionada ao consumo, de acordo com a Food and Drug Administration (FDA), agência que regulamenta medicamentos e alimentos nos Estados Unidos, uma quantidade muito pequena - poucos nanogramas - da toxina pode causar a doença. "Embora a incidência da doença seja baixa, a taxa de mortalidade é alta quando não for tratada imediatamente e corretamente", diz o site da agência. Fonte: Dow Jones Newswires.

Tudo o que sabemos sobre:
Nova Zelândiabotulismo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.