Fontes financiadoras dos extremistas crescem a cada dia

CENÁRIO: Ken Dilanian / AP

O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2014 | 02h01

Os militantes do Estado Islâmico (EI), que já dependeram pesadamente de doadores de dinheiro do Golfo Pérsico, tornaram-se uma jamanta financeira autossuficiente faturando mais de US$ 3 milhões por dia com contrabando de petróleo, tráfico humano, roubo e extorsão, segundo agentes de inteligência e especialistas privados americanos.

Essas riquezas são uma das razões para a forte preocupação de autoridades americanas com o grupo apesar de elas reconhecerem que não têm evidências de que o EI esteja preparando ataques contra os EUA.

O EI tomou grandes porções da Síria e do Iraque, e controla até 11 campos de petróleo nos dois países, segundo analistas. Ele está vendendo petróleo e outros produtos por redes de contrabando sob os narizes de alguns dos mesmos governos que está combatendo: o norte do Iraque controlado pelos curdos, Turquia e Jordânia.

Apesar de a inteligência americana não considerar esses governos cúmplices no contrabando, o governo de Barack Obama está pressionando a fazerem mais para reprimir a prática. O preço que o EI cobra pelo petróleo contrabandeado recebe um desconto de US$ 25 a US$ 60 por barril em relação ao preço normal, de cerca de US$ 100.

O grupo também ganhou centenas de milhões de dólares com o contrabando de antiguidades do Iraque para serem vendidas na Turquia e outros milhões com o tráfico humano vendendo mulheres e crianças como escravos sexuais. Outras receitas provêm de pagamentos de extorsões, resgates de reféns e o roubo puro e simples de toda sorte de materiais de cidades que o EI tomou.

Mesmo antes de tomar Mossul, no norte do Iraque, em junho, por exemplo, o grupo começou a cobrar "impostos" sobre quase toda atividade econômica, ameaçando de morte os que não quisessem pagar. Uma análise do Council on Foreign Relations estimou que o grupo estava recolhendo US$ 8 milhões por mês de extorsão só em Mossul.

Depois que o EI tomou Mossul e outras áreas, ele se apropriou de milhões de dólares em dinheiro de bancos.

O EI "conseguiu traduzir com sucesso controle territorial no norte da Síria e partes do Iraque num meio de geração de receita", disse um agente americano.

Analistas dizem que o grupo está se aproveitando do fato de que a área ao longo da fronteira entre Iraque e Turquia há muito vem sendo um porto seguro para contrabandistas, principalmente após a queda do líder iraquiano Saddam Hussein em 2003. Gerações de famílias transportaram bens ilicitamente pela região.

O EI é o sucessor da Al-Qaeda no Iraque, que foi fundada pelo jordaniano Abu Musab al-Zarqawi. Durante algum tempo, o grupo se aliou à Frente Nusra, a filial da Al-Qaeda que compõe uma parcela muito significativa dos rebeldes que, há três anos, combatem o presidente sírio Bashar Assad. Posteriormente, o EI rompeu com a Al-Qaeda e com a Frente Nusra.

Nos primórdios da guerra civil síria, o EI era financiado em grande parte por doações de habitantes abastados de Estados do Golfo, entre os quais Kuwait e Catar, segundo autoridades americanas.

A dependência do EI de petróleo como sua principal fonte de receita pode ser facilmente rompida por ataques aéreos americanos, segundo autoridades. Até agora, porém, nenhuma decisão foi tomada visando a infraestrutura de petróleo síria ou iraquiana, que é operada por trabalhadores civis que podem ter sido recrutados compulsoriamente pelos extremistas sunitas.

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