Forbes inclui filha do presidente de Angola em lista de bilionários

Isabel dos Santos, de 40 anos, tem participação em telefonia celular no país e possui ações de empresas portuguesas

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2013 | 02h03

Ela é bonita, jovem, estudou nas melhores universidades da Europa e controla ações de algumas das maiores empresas de Portugal. Isabel dos Santos é, segundo a revista Forbes, a primeira mulher bilionária da África, com apenas 40 anos. Isabel é a filha do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, no cargo desde 1979 e representante de um grupo de origem marxista, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

A revista não revela o valor total da fortuna de Isabel, mas só a participação de 25% que ela detém nas ações da Unitel - uma das duas empresas de telefonia celular de Angola - está avaliada em US$ 1 bilhão.

Além de estar no conselho de várias empresas da África, Isabel também aproveitou a crise europeia para comprar ativos em Portugal. Hoje, ela mantém 19,5% de ações do Banco BPI, um dos maiores do país europeu e com um valor de US$ 465 milhões.

A filha do presidente angolano possui, ainda, um quarto das ações do Banco BIC, no valor de US$ 160 milhões.

Em 2012, Isabel aumentou de forma substancial sua participação na maior empresa de TV a cabo em Portugal, a ZON Multimedia. Até então, ela possuía 4,9% das ações da empresa. No fim de 2012, a herdeira de Santos já controlava 28,8%.

Não é a primeira vez que a família Santos chama a atenção por sua fortuna no exterior. Por anos, o presidente foi acusado de manter contas ilegais na Suíça. Em 2005 e 2009, o governo de Berna chegou a devolver ao de Luanda quase US$ 100 milhões desviados por "funcionários de alto escalão" durante os 27 anos da guerra civil que acabou em 2002.

No poder há 25 anos, Santos viu a renda obtida por Angola com o petróleo aumentar em 20 vezes nos últimos dez anos, chegando a US$ 66 bilhões. No ano passado, ele modificou a Constituição para permanecer no poder por mais dez anos.

Na avaliação da Transparência Internacional, Angola seria o 168º país mais corrupto do mundo, em um ranking de 178 países.

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