Força áerea colombiana sofre novo ataque

Helicóptero que levava tropas foi alvo durante voo; Farc voltam a agir no sul

BOGOTÁ, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2012 | 03h01

Um dia depois da queda de um caça Super Tucano em uma área controlada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), um helicóptero que transportava soldados no norte do país foi atacado ontem com tiros. Ninguém se feriu. No Departamento (Estado) de Cauca, onde o jato foi encontrado, homens da guerrilha deixaram sete feridos em um ataque ao povoado de Toribío.

Segundo a Rádio Caracol, o helicóptero foi atacado enquanto sobrevoava o povoado de Convención, a cerca de 700 quilômetros ao norte de Bogotá. Havia no voo também deputados da Assembleia Legislativa de Santander. Não está claro se o voo conseguiu chegar ao destino ou teve de fazer um pouso de emergência.

Em Cauca, ao menos sete pessoas ficaram feridas e 30 casas foram destruídas em uma incursão das Farc em Toribío. "O mais grave não é o ataque e si. Estamos há tempos pedindo às autoridades que reavaliem sua estratégia militar", disse o prefeito de Corinto, Oscar Quintero. "Nós acabamos pagando a conta."

Centenas de indígenas manifestaram-se na quinta-feira em Toribío, perto de onde foi encontrado o Super Tucano, contra a presença militar na região. Eles derrubaram antenas de comunicação e destruíram trincheiras em protesto.

O presidente Juan Manuel Santos prometeu ainda se reunir com líderes indígenas do sudoeste colombiano, área de atuação das Farc, que protestam contra as frequentes incursões militares em seu território e rejeitam retirar as tropas de lá. "Também estamos cansados de guerra, mas não podemos, por nenhum motivo, desmilitarizar nosso território", disse

De acordo com o prefeito, o Departamento de Cauca é historicamente controlado pelas Farc por ser uma zona geográfica com fácil acesso a diversas áreas do sul da Colômbia. No ano passado, um posto do Exército em Corinto foi atacado pela guerrilha.

Resgate. Em Bogotá, a Força Aérea da Colômbia (FAC), recebeu os corpos dos militares mortos na queda do Super Tucano, de fabricação brasileira. As Farc, que dizem ter derrubado o caça, e o Corpo de Bombeiros de Cauca, no sudoeste do país, entregaram os corpos ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

O Instituto de Medicina Legal da Colômbia informou que os tripulantes morreram de politraumatismos, não por impacto de balas.

O Super Tucano caiu na quarta-feira em Cauca durante uma operação de rotina contra as Farc. Santos disse ser improvável que a guerrilha tenha derrubado o avião e acusou o grupo de mentir para projetar uma maior influência. As Farc mostraram imagens do avião derrubado e dizem ter retirado dele armas de ataque, como uma metralhadora .50.

"A verdade é que não sabemos ainda o que aconteceu, mas é muito improvável que o avião tenha sido derrubado porque a guerrilha não tem capacidade pra isso", disse Santos. / AFP

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