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Força Aérea da Índia encontra cinco corpos nos Himalaias durante buscas por alpinistas desaparecidos

Funcionários do governo estão em contato com o Exército e a Polícia de Fronteira Indo-Tibetana para determinar como recuperar os cadáveres de uma montanha próxima ao segundo maior pico do território indiano

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2019 | 11h11

NOVA DÉLHI - Pilotos da Força Aérea da Índia encontraram cinco corpos nos Himalaias nesta segunda-feira, 3, perto da fronteira com a China e o Nepal, enquanto buscam oito alpinistas que tentavam mapear uma nova rota perto do segundo pico mais alto do território indiano. Eles estão desaparecidos desde uma recente avalanche.

Vijay Kumar Jogdande, principal funcionário público do Estado de Uttarakhand, disse que os corpos, os quais ele acredita que sejam de alguns dos alpinistas desaparecidos, foram vistos graças ao uso de fotografias de alta resolução obtidas de um helicóptero militar antes que uma operação de resgate fosse suspensa no dia por causa de uma intensa tempestade de neve e ventos fortes.

Uma missão para encontrar os outros três alpinistas será retomada na terça-feira, afirmou Jogdande, alertando que eles podem ter sido soterrados pela avalanche registrada no local da montanha que eles estavam escalando.

Funcionários do governo estão em contato com o Exército da Índia e a Polícia de Fronteira Indo-Tibetana para determinar como recuperar os corpos de um cume do Nanda Devi East, uma montanha perto de Nanda Devi, o segundo maior topo do território indiano.

Jogdande afirmou que uma equipe estava avaliando a viabilidade de enviar um grupo de montanhistas ao local onde os corpos foram avistados, situado em uma altitude de 5 mil metros. “Tanto o terreno quanto o clima tornam a segurança um problema real”, disse ele. “Sempre há o temor de que as pessoas que participarem do resgate possam ficar presas lá.” 

A escalada

O grupo, liderado pelo alpinista britânico Martin Moran, começou a subir o Nanda Devi East, de 6.477 metros, no dia 13 de maio, segundo o Moran Mountain, empresa do montanhista com base na Escócia. A equipe contava com quatro britânicos, dois americanos, um australiano e um oficial indiano. 

Eles haviam estado em contato com o acampamento de base no dia 26 de maio, segundo quatro britânicos membros da expedição que ficaram por lá, cercados pela forte nevasca e resgatados no domingo. O grupo no acampamento de base era liderado por Mark Thomas, de 44 anos. Os outros três membros eram  Zachary Quain, de 32 anos, Kate Armstrong, de 39 anos, e Ian Wade, de 45 anos.

Amit Chowdhary, porta-voz da Fundação Indiana de Montanhismo, ressaltou que a localização dos alpinistas era conhecida até o dia 26 de maio. Chowdhary disse que eles estavam em contato via rádio com os outros quatro membros da equipe de expedição. 

De acordo com Chowdhary, quando o grupo liderado por Thomas parou de receber atualizações do outro grupo, ele partiu em busca dos alpinistas desaparecidos no dia seguinte. Jogdande contou que Thomas e os outros três receberam os primeiros atendimentos em um hospital da cidade de Pithoragarh e depois foram liberados.

Não ficou claro os motivos que levaram Moran a escalar o pico. Maninder Kohli, montanhista e membro da fundação, disse que ele era conhecido por sua paixão por explorar novos picos.

“Também é possível que, se os outros membros do grupo eram menos experientes, e sabendo o quão desafiador o Nanda Devi East é, que Martin tenha pensado que esse pico seria uma espécie de ensaio para eles se acostumarem com o clima para a tarefa mais difícil”, explicou Kohli.

Perigos do Nanda Devi

A Índia não permite alpinistas no cume do Nanda Devi. Eles são permitidos apenas em seu gêmeo ligeiramente inferior, Nanda Devi East. Os montanhistas o descrevem como de uma dificuldade diabólica. “Em comparação com o Nanda Devi East, o Everest é um piquenique”, comparou Kohli. “Os que sobem o Everest nem sequer estariam aptos a pisar nele. Apenas os mais tecnicamente competentes podem tentar.”

Enquanto o Monte Everest, o pico mais alto do mundo, tem uma legião de seguidores, o Nanda Devi - que significa “deusa da felicidade” - conta com sua própria aura entre montanhistas mais corajosos porque poucos conseguiram chegar ao topo e muitos morreram tentando.

Tenzing Norgay, o primeiro homem a subir o Everest junto com o Sir Edmund Hillary, descreveu o Nanda Devi East como o pico mais difícil dos Himalaias. Como tão poucos conseguiram subir, a montanha permanece praticamente intocada, ao contrário do cheio de lixo e congestionado Everest.

Para Kohli, o Nanda Devi East é propenso a avalanches e tem um terreno assustador com “bordas finas como navalhas”. “Em um ponto ao longo desta estreita faixa escorregadia, chega-se ao Three Pinnacles. São três grandes torres de gelo, uma após a outra. É preciso passar por elas para voltar ao cume”, explicou.

Para os hindus, a imponência dos Himalaias o torna a morada dos deuses e, portanto, sagrada. A lenda diz que o Nanda Devi, a deusa da região, era uma princesa que, enquanto tentava escapar de um príncipe que a perseguia, escalou o pico e se tornou um deles.

Percorrer do ponto de partida da escalada até o topo sozinho é cansativo. A trajetória inclui uma viagem de trem de seis horas de duração de Nova Délhi, capital da Índia, à estação ferroviária de Kathgodam, em Uttarakhand. De lá, são 10 horas de carro até Munsiyari, localizado a 2.290 metros, onde há alojamentos turísticos e mulas que podem ser alugadas para carregar os equipamentos. De Munsiyari, os alpinistas caminham por 90 km até o acampamento de base de Nanda Devi, uma viagem por meio de florestas, glaciares e cachoeiras. / AP

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