Junaidi Hanafiah/Reuters
Junaidi Hanafiah/Reuters

Força Aérea da Malásia nega ter monitorado avião até Estreito de Malaca

Países reclamam de lentidão na investigação e pedem comprometimento em nome das famílias dos passageiros

O Estado de S. Paulo,

12 de março de 2014 | 08h02

KUALA LUMPUR - O chefe da Força Aérea da Malásia negou uma reportagem segundo a qual os militares monitoraram pela última vez o avião desaparecido da Malaysia Airlines sobre o Estreito de Malaca, distante do local onde a aeronave fez o último contato com o controle aéreo civil antes de desaparecer há quatro dias.

"Quero afirmar que eu não fiz qualquer declaração dessa", disse o chefe da Força Aérea, Rodzali Daud, em comunicado nesta quarta-feira, 12.

O Estreito de Malaca, um dos canais de navegação mais movimentados do mundo, percorre a costa oeste da Malásia. A companhia aérea disse no sábado 8 que o voo, com 227 passageiros e 12 tripulantes a bordo, fez contato pela última vezes na costa da cidade litorânea do norte da Malásia de Kota Bharu.

Investigações. A China e o Vietnã reclamaram nesta quarta-feira da lentidão no processo de investigação do desaparecimento da aeronave. Os dois países alegam que o governo malaio está com dificuldades em coordenar os esforços nas buscas.

Ao todo, dez países estão ajudando a varrer os mares ao redor da Malásia, entre eles China, Vietnã e Estados Unidos. Mais navios vietnamitas serão deslocados para ajudar nas buscas. No total, 56 navios de superfície estão fazendo pesquisas na região e outras 30 aeronaves sobrevoam o território entre a Malásia e o Vietnã.

O ministro dos Transportes da Malásia, Hishamuddin Hussein, voltou a ressaltar que ainda não há nenhum sinal do avião e advertiu que as buscas podem se prolongar por um tempo indeterminado. "Vai ser longo e arrastado", disse o ministro durante entrevista ao Wall Street Journal.

Na terça-feira, Pequim pressionou a Malásia para acelerar as investigações. "Queremos que a Malásia se comprometa mais com esse trabalho em nome das famílias chinesas", disse Qin Gang, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China.

Pistas. Nesses cinco dias desde o desaparecimento, várias pistas falsas e relatórios conflitantes foram divulgados. Nesta manhã, um objeto não identificado foi localizado no Estreito de Malaca, mas ainda não há confirmações sobre a autenticidade do objeto.

Alguns especialistas começaram a apostar na hipótese de um possível suicídio do piloto, mas autoridades descartam a possibilidade de envolvimento da tripulação no caso. Com as imprecisões, o governo do Vietnã chegou a suspender os sobrevoos à espera e retomou as atividades no fim do dia.

Analistas em aviação explicam que a ausência de um sinal eletrônico antes do desaparecimento dificultam as previsões sobre a localização da aeronave. Além disso, há indícios no radar que sugerem que o Boeing 777 possa ter tentado retornar a Kuala Lumpur antes da perda de contato. Essa informação provocou uma ampliação da área de busca, que já era considerada desafiadora.

Para intensificar o processo de busca, o governo pediu ajuda à Índia na tentativa de ampliar a área de busca na região do Mar de Andaman, ao norte do Estreito de Malaca. Os navios indianos fazem patrulhas frequentes nessa região e pode ajudar a encontrar possíveis pistas sobre o desaparecimento./ REUTERS, AP e AE

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