Força Aérea de Israel ataca 130 alvos no Líbano

A Força Aérea israelense atacou na madrugada desta sexta-feira cerca de 130 alvos em território libanês, informou a rádio pública de Israel. O principal alvo foi a cidade de Tiro, comando regional do Hezbollah de onde saem os ataques contra a cidade de Haifa, principal centro urbano no norte de Israel. Israel teme que ordens para atacar centrosisraelenses mais ao sul, como as cidades de Netânia ou Tel-Aviv, com mísseis de 200 quilômetros de alcance, partam também de Tiro. Os bombardeios da madrugada não impediram que comandos mais autônomos do Hezbollah, junto à fronteira, atacassem a Galiléia com foguetes Katiusha de 20 quilômetros de alcance. Pouco depois da meia-noite, uma série de foguetes caiu em diferentes pontos ao longo da fronteira, sem causar vítimas.Escudo antimísseis O Exército israelense decidiu instalar umescudo antimísseis entre as cidades de Netânia e Tel-Aviv, em prevenção contra um possível ataque da guerrilha xiita libanesa Hezbollah com foguetes de médio alcance. Segundo o jornal Yedioth Ahronoth, a obra começará nos próximos dias com a instalação de um número indeterminado de baterias Patriot, para proteger e minimizar os danos numa área onde vivem de 30 a 40% da população do país. Os serviços de informação do Exército israelense calculam que o Hezbollah conte com mísseis de mais de 120 quilômetros de alcance, do tipo Zelzal, com ogivas de 600 quilos. O dano que um desses mísseis poderia causar num centro urbano émuito superior ao dos que a guerrilha xiita tem disparado nas últimas duas semanas contra a cidade de Haifa e a Alta Galiléia, que contêmdezenas de quilos de explosivos. Israel não tem uma resposta efetiva contra mísseis pequenos, já que sua estratégia na última década tem sido a de desenvolver sistemas de defesa contra mísseis balísticos do Iraque, Líbia eIrã. Após o sucesso dos Patriot no confronto com o Iraque, o Exército espera que os mísseis americanos possam detectar e derrubaros Zelzal. Uma bateria foi postada há duas semanas na Baía de Haifa, outra em Safed e uma terceira junto a uma base aérea no coração de Israel. Nos últimos dias, líderes da guerrilha, entre eles o secretário-geral Hassan Nasrallah, têm ameaçado atacar povoados israelenses ao sul de Haifa. As declarações preocupam o Exército. Caso haja um ataque, o plano de contingência israelense prevê que o Exército assuma o controle de toda a região, uma situação que não ocorre há décadas.MubarakO presidente egípcio, Hosni Mubarak, se mostrou pessimista em relação à crise no Oriente Médio, dizendo que não vê "a luz no fim do túnel", e considera que Israel foi "muito longe" na sua ofensiva militar no Líbano. Em entrevista publicada nesta sexta-feira no site da revista americana "Times", Mubarak considerou a reação da comunidade internacional, principalmente dos EUA, "muito pequena e muito demorada".Mubarak disse que a conferência internacional de Roma, na quarta-feira, fracassou em conseguir um cessar-fogo imediato, que "é uma prioridade absoluta", apesar das reservas de Washington. "As operações militares no Líbano não resolverão os problemas de Israel com o Hezbollah", disse, acrescentando que a crise está "desencadeando um enorme frustração em toda a região, o que leva a um aumento da tensão".Após pedir "uma séria e urgente iniciativa" diplomática para encerrar a crise, Mubarak disse que o conflito "poderia ter sido contido ainda no seu início". Mubarak também criticou o Hezbollah por agir como "um Estado sem Estado", e se queixou da oposição iraniana aos esforços de paz entre árabes e israelenses. "Isso complica ainda mais uma situação que já era complicada", queixou-se.

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