Javier Torres/AFP
Javier Torres/AFP

Força Aérea do Chile confirma queda de avião com 38 pessoas a bordo

Apesar da afirmação, aeronave e membros da tripulação não foram encontrados; conclusão foi tomada porque avião está desaparecido há muitas horas

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2019 | 20h55

SANTIAGO - A Força Aérea do Chile confirmou nesta terça-feira, 10, que o avião de carga que está desaparecido desde segunda com 38 pessoas a bordo caiu. A aeronave desapareceu dos radares em uma área isolada entre a América do Sul e a Antártida, e são poucas as chances de se encontrar sobreviventes.

A aeronave Hércules C130 decolou na segunda-feira às 16h55 (horário local e de Brasília) da cidade de Punta Arenas, no sul do país, e perdeu contato logo após às 18h.

A Força Aérea informou em um comunicado que ainda não conseguiu localizar o avião e determinar se há sobreviventes, mas que concluiu que a aeronave deve ter caído devido ao total de horas que já está desaparecida.

A Aeronáutica chilena também explicou que estava fazendo contato com as famílias dos 17 tripulantes e 21 passageiros do avião.

“As possibilidades são difíceis, mas acho que seria profundamente errado que, no momento em que estamos, com toda a energia e determinação, fazendo o humanamente possível, desanimarmos”, disse o ministro da Defesa, Alberto Espina, em Punta Arenas, a mais de 3 mil km ao sul de Santiago. 

"Vamos buscar os 38 passageiros sem limitar recursos dia e noite, fazendo todo o humano e técnico que está ao nosso alcance e com apoio estrangeiro". Espina também anunciou que uma investigação será aberta para descobrir o que ocorreu. 

Três dos 38 passageiros eram civis, entre eles, o universitário de 24 anos, Ignacio Parado, que iria auxiliar em investigações sobre novas energias após ter ganho uma bolsa de estágio pelo bom desempenho acadêmico. Os outros dois civis eram engenheiros que iriam cumprir tarefas de revisão do oleoduto flutuante de abastecimento de combustível e aplicação de tratamentos anticorrosivos. 

O acidente acontece em um momento turbulento para o Chile e o presidente Sebastián Piñera, que enfrenta um descontentamento crescente que provocou quase dois meses de tumultos na capital, Santiago, e tem pressionado seu governo.

“Meus pensamentos e orações estão com as famílias dos 38 tripulantes e passageiros do avião C-130 da FACh (Força Aérea)”, escreveu Piñera no Twitter, confirmando que o presidente brasileiro Jair Bolsonaro havia oferecido ajuda. 

“Com a ajuda de muitos, estamos fazendo todos os esforços humanamente possíveis na operação de busca do avião”, afirmou Piñera. Ele acrescentou que havia cancelado uma viagem à Argentina para participar da posse do presidente Alberto Fernández na terça-feira.

A região onde o avião desapareceu, no Mar de Drake, é uma área vasta e praticamente intocada do oceano, de mantos de gelo habitados por pinguins, nos limites do continente sul-americano. É o ponto de encontro dos oceanos Atlântico e Pacífico, onde se dão algumas das piores condições climáticas do mundo.

Mesmo assim, as autoridades chilenas informaram que as condições eram boas quando o voo partiu. Já nesta terça, havia baixa visibilidade, o que dificultou a busca do avião, além de produzir ondas de entre dois e seis metros de altura. 

A aeronave faria uma operação de apoio logístico para manutenção da base e de outras instalações chilenas na Antártida.

Ajuda internacional

Equipes do Uruguai, Argentina e Brasil colaboram com a missão de resgate, que inclui ao menos 13 aviões e vários barcos, muitos deles comerciais, na área em que o avião desapareceu. Aviões equipados com dispositivos infravermelhos foram ao local, depois das primeiras buscas não terem sido bem sucedidas. 

Também se espera a chegada de um avião do Reino Unido. Além disso, ajuda tecnológica de Israel, Estados Unidos e Peru será utilizada para obter imagens de satélite da região. 

Um navio polar brasileiro, Almirante Maximiliano, chegará ao possível local da queda do Hércules C-130 da Força Aérea chilena na manhã desta quarta-feira, 11.

Para auxiliar as ações de busca, a Marinha do Brasil informou que vai usar instrumentos de inspeção visual, além de um ecobatímetro, um equipamento capaz de atingir até sete mil metros de profundidade e realizar imagens do fundo do mar. / REUTERS e AP, com ROBERTA JANSEN

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